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“Vozes de Mestres” de volta ao Alentejo para eternizar memórias

27 jul, 2021 - 12:24 • Rosário Silva

O “Vozes de Mestres” pretende “dar relevância para o diálogo entre saberes”, tendo “no palco artistas da cultura popular e músicos contemporâneos, de maneira a proporcionar um intercâmbio de saberes intergeracionais e a agregação de laços culturais entre Portugal e Brasil”.

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São 17, as mulheres, entre os 70 e os 87 anos de idade, que integram o Grupo Coral Feminino de Viana do Alentejo. No mesmo concelho, na freguesia de Alcáçovas, Bia Baguinho, senhora de 84 anos, expressa o seu afeto pela região através da poesia. De Vila Nova da Baronia, chega o projeto musical “De Moda em Moda”, criado em 2015, com enfoque no cante alentejano. E, Ivan Vilela, quem é? Violeiro, compositor, arranjador, pesquisador e professor. O seu trabalho mistura timbres de viola caipira e de orquestra. É investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade de Aveiro.

O que têm em comum estes artistas? São as primeiras “Vozes de Mestres” do projeto internacional e itinerante, com o mesmo nome, que regressa ao Alentejo, neste caso ao município de Évora, já no dia 30 de julho, no jardim anexo ao Armazém 8, entre as 18h30 e as 22h30.

Inspirado na ideia de que a música não tem fronteiras, o “Vozes de Mestres” pretende “dar relevância para o diálogo entre saberes”, tendo “no palco artistas da cultura popular e músicos contemporâneos, de maneira a proporcionar um intercâmbio de saberes intergeracionais e a agregação de laços culturais entre Portugal e Brasil”, referem os organizadores.

A criadora do evento, Geovana Jardim, conta que “ao viajar pelo Alentejo foi comum ouvir relatos de anciãos preocupados com a perda de memórias afetivas coletivas tão essenciais”.

As consequências desse fenómeno, adivinham-se e, segundo a autora, passam pelo “desaparecimento de modos de vida, das socializações locais e a sua substituição por um padrão cultural considerado hegemónico e excludente para a população idosa".

Para perpetuar estas memórias, Geovana Jardim decidiu trazer o projeto “Vozes de Mestres” para Portugal, país onde está a realizar o doutoramento em História e Filosofia da Ciência, com especialidade em Museologia, tendo como abordagem a preservação do património cultural imaterial de países lusófonos.

“Infelizmente, ainda estamos a viver um momento estranho, decorrente pandemia, mas é preciso não sucumbir”, refere a investigadora, ao mesmo tempo que diz acreditar “na vitalidade e no potencial criativo de cura que a arte tem”, sendo, por isso, “imprescindível dar vozes aos mestres e mestras da tradição”.

Depois de Évora, as “Vozes de Mestres” passam por Montemor-o-Novo e Galveias

Além de Évora, na próxima sexta-feira, esta quarta edição vai marcar presença, também, em Montemor-o-Novo, a 7 de agosto, nas Oficinas do Convento, e no dia 25 de setembro, em Galveias, na Herdade Monte Torre de Sepúlveda.

O alentejano Pedro Mestre, conhecido pela sua dedicação à viola campaniça e à musica tradicional alentejana, o Grupo Coral Fora d’Oras, de Montemor-o-Novo, o artista nómada Luiz Gabriel, com várias participações do Festival de Musicas do Mundo de Sines, e os poemas de Telmo Ferreirinho Seco, preenchem a sessão de dia 7 de agosto, no Convento de S. Francisco, em Montemor-o-Novo.

Por fim, em Galveias, a 25 de setembro, pode contar com os concertos da conhecida cantora, acordeonista e compositora, Celina da Piedade, de Susana Travassos e Elodie Bouny, duas mulheres com fortes ligações à América Latina e, ainda, do Grupo Cantares de Galveias (Galcanta) que levam ao palco as suas modas tradicionais. Pode contar, também, com a poesia de Edmundo Raposo, “poeta de excelência que alegra a pequena vila de Alcáçovas”.

Este ano, o “Vozes de Mestres”, além dos concertos, compreende a realização de oficinas de aprendizagem focadas no cante alentejano, no canto brasileiro, bem como na colheita e pisa da uva.

Sobre o “Vozes de Mestres”

O projeto começou em 2008, para apoiar “a formulação de políticas públicas para as culturas populares”, promovendo “diálogos entre artistas” e “ajudando a fortalecer e evidenciar a beleza da cultura popular brasileira”, indicam os organizadores.

Ao longo destes anos, o “Vozes de Mestres” decorreu em vários formatos, mas sempre com apresentações de grupos tradicionais populares, concertos, debates, oficinas, exposições fotográficas, passando também pelo espaço virtual.

No Brasil, marcou presença em todas as regiões, mas também já se realizou em Espanha, Cabo Verde e Polônia. Em 2019, a primeira edição chegou a Portugal, em parceria com o jornalista e criador da webrádio CBF, Carlos Ferreira, e a AMArT - Associação Musical, de Artes e Tradições de Alcáçovas (Viana do Alentejo).

O “Vozes de Mestres” itinerante conta com o apoio da Direção-geral das Artes, através do Concurso 2020 - Apoio a Projetos - Programação e Desenvolvimento de Públicos.

O bilhete tem o custo de cinco euros e as reservas podem ser feitas através do e-mail vozesdemestres2021@gmail.com ou pelo telemóvel 934 448 525. Todas as atividades têm lotação limitada, para poderem realizar-se de acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde.

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