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Bispo de Vila Real: Anúncio pascal é apelo à paz, à solidariedade e à defesa da vida

25 mar, 2024 - 08:18 • Olímpia Mairos

Para D. António Augusto Azevedo, o anúncio da Pascoa “precisa de ecoar neste mundo em que se ampliam os sinais de morte”, explicando que “celebrar a Páscoa é reafirmar a convicção de que é possível e urgente outro caminho que promova a vida mais plena para cada um e para todos”.

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O bispo da Diocese de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, afirma que “a Páscoa celebra o acontecimento central do cristianismo, aquele que provocou um maior impacto na história”.

Desejaria que a boa nova da ressurreição de Jesus, proclamada nesta Páscoa, causasse o mesmo entusiasmo em todos os corações e o mesmo sobressalto de novidade que o mundo está a precisar”, escreve na mensagem que dirige a todos os diocesanos.

D. António Augusto Azevedo recorda que “a celebração anual desta festa concentra-nos no essencial da fé cristã”, indicando que “em cada Páscoa somos convidados a proclamar com renovada alegria que Jesus ressuscitou e está vivo no meio de nós”.

“Os efeitos dessa presença não cessam de se manifestar no quotidiano da vida da Igreja e de cada cristão”, constata.

Sublinhando que “a vida nova nascida na Páscoa de Cristo chegou até nós”, D. António Augusto expressa o desejo de “que as suas consequências” se tornem “mais manifestas na vida do mundo”.

“Páscoa significa, antes de mais, passagem da morte à vida, início de um tempo novo”, observa, defendendo que “este anúncio de vida precisa de ecoar neste mundo em que se ampliam os sinais de morte, provocada por armas cada vez mais sofisticadas e letais, pela fome e pela doença que afetam populações inteiras, por doenças ou por cataclismos, estes em resultado, no todo ou em parte, de alterações climáticas a que a ação humana não é alheia”.

“Neste contexto, o anúncio pascal ressoa hoje como apelo à paz, desafio à solidariedade, compromisso com a defesa da vida e dignidade humanas”.

“Celebrar a Páscoa é reafirmar a convicção de que é possível e urgente outro caminho que promova a vida mais plena para cada um e para todos”

O responsável da diocese transmontana refere ainda que na celebração pascal experimentamos e acolhemos a plena liberdade alcançada na ressurreição de Jesus, sublinhando que “a valorização e a promoção da liberdade está na raiz do ser cristão, constitui uma causa da qual não somos dispensados”.

“Vivência pascal convida-nos a fazer um caminho novo”

D. António Augusto Azevedo nota que “a modernidade fez da liberdade uma das suas grandes bandeiras”, observando que “da liberdade de consciência às liberdades cívicas registaram-se muitos avanços apesar de começarmos a assistir, mais recentemente, a alguns retrocessos”.

“Temos verificado, com preocupação, o crescimento de regimes autoritários e de poderes pouco escrutinados, o alargamento da teia da burocracia e de formas de controle dos cidadãos, sem esquecer o atropelo aos seus direitos básicos”, alerta o prelado, elucidando que “fiel ao espírito pascal, o cristão tem apreço e compromisso para com a liberdade”.

“A liberdade entendida no seu sentido mais pleno, aquela que se fundamenta na verdade e dignifica a pessoa. Essa liberdade exige atenção constante e empenho permanente, não podendo ser alienada a nenhum preço ou comprometida por qualquer razão”

Na mensagem intitulada “Proclamar a vida, renovar a esperança”, o bispo de Vila Real salienta que “a vivência pascal convida-nos ainda a fazer um caminho novo, inspirado nos discípulos de Emaús”, que após o encontro com o Ressuscitado abandonaram o caminho de regresso ao passado, da resignação, da desilusão e da tristeza e voltaram à comunidade dos discípulos para testemunharem com entusiasmo a sua descoberta do Senhor.

A celebração da Páscoa deve suscitar em cada cristão a mesma atitude de redescoberta da comunidade cristã e o forte desejo de caminhar juntos, com todos e com Cristo que se faz vivo e presente quando dois ou três se reúnem em seu nome”, assinala.

“Apelo a que caminhemos juntos, partindo o pão da eucaristia e partilhando o pão com os irmãos mais pobres, com os imigrantes, os doentes e os que vivem sós”

Por fim, D. António Augusto Azevedo convida “todos os diocesanos a acolher a vida nova, a alegria e a paz que Jesus Ressuscitado nos concede”, assegurando que “animados pelo Espírito, caminharemos juntos, renovando o sonho de construir uma Igreja mais pascal, fraterna e acolhedora e assumiremos com entusiasmo o compromisso de comunicar ao mundo uma mensagem de autêntica esperança”.

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