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D. Jorge Ortiga. “Catedrais domésticas”, os novos lugares de celebração do Natal

07 dez, 2020 - 15:33 • Olímpia Mairos

O arcebispo de Braga afirma que “não podemos ser mesquinhos e permanecer presos aos hábitos e rotinas”. É “possível uma Igreja diferente, mais fiel ao projeto de Cristo e aos desafios que o mundo lhe vai lançando”, diz D. Jorge Ortiga na mensagem dirigida aos sacerdotes.

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O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, escreveu aos sacerdotes da arquidiocese bracarense dando nota da necessidade de “fazer com que o Natal”, sendo diferente, “aproxime mais do seu verdadeiro significado”.

“Poderemos ter muitas e solenes celebrações sem revivermos a verdadeira originalidade do presépio”, alerta o prelado, realçando que mais do que nunca “importa celebrar o nascimento de Cristo, despindo-o de representações exteriores e apropriando-nos de um Menino que nasceu para nós”.

“O Natal é oferta do amor de Deus”, recorda D. Jorge, desejando que esta experiência possa tocar a todos e conduza a uma maior responsabilização em viver “intensamente a caridade para oferecer um rosto sinodal e samaritano à Igreja, que se faz próxima para cuidar e acompanhar como Jesus Cristo, o Bom Samaritano”.

Para o arcebispo de Braga, a centralidade da mensagem do Natal deveria relativizar muitas outras coisas de que gostamos e às quais nos afeiçoamos.

“Não podemos entristecer-nos ou cair no desânimo por não ser possível fazer o que sempre fizemos. Com esta situação indesejada, ganharemos se nos focarmos no essencial. Prendendo-nos àquilo que verdadeiramente vale, celebraremos a vinda de um Menino que revolucionou o mundo e que, hoje, deverá ainda ser novidade para muitos, em primeiro lugar para os cristãos. Há uma graça que Deus continua a oferecer à Humanidade. Não a podemos perder”, escreve D. Jorge.

Segundo o arcebispo de Braga, a redescoberta do Natal poderá “não passar pelos habituais programas pastorais desta época natalícia”.

“Com alguma criatividade e inovação teremos de descentralizar os lugares da celebração e fazer com que o Natal aconteça essencialmente nas famílias. Aí a festa acontecerá e as paróquias devem investir em subsídios que ajudem a vivê-lo nestas novas catedrais domésticas”, considera.

Segundo D. Jorge Ortiga, o habitual das festas familiares pode ter algumas inovações que vá para além da materialidade de certas tradições.

“Levemos, por isso, o verdadeiro Natal para o coração das famílias”, desafia.

“É grave o problema da solidão”

O arcebispo primaz de Braga pede também aos sacerdotes que a partir dos dinamismos das comunidades, sejam capazes de “inventar modos e maneiras de mostrar que a Igreja é uma única família amada por Deus e que caminhamos juntos em verdadeira fraternidade e solidariedade”.

“Não basta afirmar a sinodalidade. Deve tornar-se visível. Isto acontecerá se nesta quadra, de um modo inequívoco, se nos aproximarmos uns dos outros através de mensagens, telefonemas, sinais de afeto, presenças. A comunidade, através dos seus movimentos e serviços, deverá saber encontrar maneiras de estar junto de todos. O Natal passa por esta rede que a todos une na alegria da mesma festa”, esclarece o prelado.

D. Jorge Ortiga lembra que a arquidiocese quer “protagonizar uma caridade que vê com o coração” e isso, explica, “significa individualizar as pessoas e famílias que na comunidade se encontram sozinhas”.

“É grave o problema da solidão. Não há alegria no rosto de muitas pessoas das nossas comunidades”, nota D. Jorge Ortiga, pedindo aos sacerdotes a ousadia para entrarem “dentro de muitas casas onde a tristeza e, quem sabe as lágrimas, podem obscurecer a alegria natalícia”.

“Envolvamos os nossos cristãos para que na noite de Natal, ou neste dia de vida familiar, ofereçam sinais de amor a quem não terá o calor familiar. É algo de que falamos sempre. Este ano, quando temos mais tempo disponível, teremos de fazer experiências que nos irão surpreender e enriquecer”, pede o arcebispo.

E D. Jorge fala de pessoas concretas: de vizinhos do mesmo prédio, conhecidas e a viver longe, que “não vemos há muito ou pouco tempo, que estão nas suas casas, nos hospitais, nos lares”.

“Entrelacemos a vida de todos”, pede o arcebispo de Braga.

“Não podemos contentar-nos em percorrer sempre os mesmos caminhos. Precisamos de acreditar que é possível uma Igreja diferente, mais fiel ao projeto de Cristo e aos desafios que o mundo lhe vai lançando. Não podemos ser mesquinhos e permanecer presos aos hábitos e rotinas. Sonhemos, mas sonhemos juntos”, conclui D. Jorge Ortiga.

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