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Carlos Moedas comemora 25 de novembro à direita, com ausência da oposição

21 nov, 2023 - 14:52 • Manuela Pires

No dia do congresso do PSD, Carlos Moedas vai assinalar os 48 anos do 25 de novembro com uma cerimónia nos paços do concelho, uma conferência e a deposição de flores em homenagem aos militares falecidos naquele dia. Os veradores do PS vão estar ausentes.

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A Câmara Municipal de Lisboa vai assinalar os 48 anos do 25 de novembro com várias iniciativas, uma cerimónia no salão nobre dos paços do concelho, a deposição de uma coroa de flores para homenagear dois comandos que morrerem naquele dia e uma conferência que vai juntar Álvaro Beleza, socialista e presidente da SEDES e o social-democrata José Miguel Júdice.

A conferência que tem como título “Cumprir abril em novembro” vai decorrer na biblioteca municipal no palácio Galveias.

Apesar da oposição na câmara de Lisboa, Carlos Moedas junta-se à direita para assinalar uma data que, segundo o autarca, justifica-se “porque há datas que temos a obrigação ética e social de não esquecer. A bem da democracia e da liberdade. A bem das novas gerações”.

Carlos Moedas vai estar de manhã na deposição da coroa de flores, na Calçada da Ajuda, e depois na cerimónia nos Paços do Concelho. Fonte da autarquia diz à Renascença que não está ainda confirmada a presença do presidente da câmara na conferência que se realiza à tarde.

Para além destas iniciativas, a câmara de Lisboa associou-se ao Instituto Mais Liberdade, que é o responsável por uma exposição intitulada “25N - A história que não te contaram” e que vai estar na Praça do Município de 24 de novembro a 17 de dezembro.

Este Instituto Mais Liberdade integra personalidades do PSD, da Iniciativa Liberal e do CDS como Adolfo Mesquita Nunes, Carlos Guimarães Pinto, Cecília Meireles ou Lídia Pereira, eurodeputada do PSD.

Partido Socialista não vai participar na cerimónia do 25 de novembro

Os vereadores do Partido Socialista na câmara de Lisboa não vão estar presentes na cerimónia marcada para os Paços do Concelho, alegando que não se revêm nesta comemoração que Carlos Moedas apresentou no 5 de outubro.

A vereadora Inês Drummond tomou conhecimento desta cerimónia pela Renascença e garante que os vereadores socialistas vão estar ausentes na cerimónia.

“Carlos Moedas vem agora impor umas comemorações do 25 de novembro que pretendem de alguma forma eclipsar o 25 de abril, numa tentativa de agregação do voto de direita que não se revê nas comemorações do 25 de abril.

"Com isto não pactuamos, seguramente os vereadores do Partido Socialista não estarão nas comemorações, apesar de desconhecermos o enquadramento porque não foi debatido”, refere Inês Drummond à Renascença.

PCP acusa Moedas de desrespeitar decisão do executivo

O Partido Comunista mostra-se também contra esta comemoração. O vereador João Ferreira acusa Carlos Moedas de estar a agir contra as decisões do executivo camarário.

O PCP apresentou, no mês passado, em reunião de câmara, um voto de condenação sobre o anúncio das comemorações do 25 de novembro, que foi aprovado e reunião de câmara com 10 votos a favor, e 7 contra dos vereadores do PSD e do CDS.

“A Câmara Municipal de Lisboa tomou uma decisão contrária e Carlos Moedas entendeu desrespeitar a decisão do órgão a que preside” diz a Renascença o vereador comunista João Ferreira.

“Contrariando uma decisão da câmara tomada o mês passado, Carlos Moedas, utilizando recursos públicos municipais levar a cabo não tendo em conta a deliberação do executivo municipal” conclui João Ferreira.

A vereadora do PS revela ainda que estas comemorações não foram debatidas em reunião de câmara e que a única informação que dispõe é de um folheto sobre a exposição, que vai estar na Praça do Município, elaborada pelo Instituto Mais Liberdade.

“Só conhecemos o folheto, com pouco rigor histórico, que tem como fonte a associação Instituto Mais Liberdade, que oblitera toda a parte negativa da ditadura e isso não conseguimos aceitar” adianta a vereadora socialista à Renascença.

Inês Drummond diz que o PS sempre esteve ao lado da democracia e do dia 25 de novembro, mas isso não quer dizer que se compactue com estas comemorações que não têm qualquer rigor histórico e que criam divisões na sociedade.

“Esta data deve ser celebrada e assinalada, mas não compactuamos com interpretações sem qualquer rigor histórico e que apouquem as conquistas de abril e o fim dos 48 anos de ditadura” defende Inês Drummond que acrescenta que há outras datas que devem ser assinaladas, mas sempre tendo como mote os 50 anos do 25 de abril.

“Carlos Moedas quer criar divisões na sociedade, e as comemorações devem estar sempre sobre o chapéu do 25 de abril, é inaceitável pensar que a liberdade se conquista no 25 de novembro” conclui a vereadora socialista.

[Atualizado às 17h29 - reação do PCP]

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