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Pensões. Montenegro acusa Governo de ter "dado o tiro de partida" para a campanha eleitoral"

27 abr, 2023 - 15:46 • Tomás Anjinho Chagas

Líder do PSD critica ainda o desinvestimento público "inigualável" dos anos em que o PS esteve no Governo, e sinaliza que Executivo está a usar PRR para compensá-lo.

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O presidente do PSD, Luís Montenegro, acusa o atual Governo de já estar em campanha eleitoral, depois de anunciar que vai fazer um aumento intercalar de 3,57% das pensões a partir de julho.

Perante empresários do Fórum para a Competitividade, em Lisboa, o líder dos social-democratas denúncia o que considera ser o arranque do período eleitoral por parte do Partido Socialista.

“Até notícia em contrário, só temos eleições em setembro, outubro de 2026, não me parece muito plausível que andemos todos em campanha eleitoral três anos e meio. Eu bem sei que o Governo já deu o tiro de partida para a campanha eleitoral. Eu bem sei. Exemplo disso foi esta decisão notável de confissão, por um lado, e de demonstração de falta de consistência política, de falta de visão estratégica estruturante da governação, que aconteceu com as pensões", atirou Montenegro.

Durante este discurso de mais de 40 minutos no Centro de Congressos de Lisboa, o líder do PSD insistiu que o PS está a tomar decisões pelo "interesse de ter um ganho" e criticou o que considera ser as declarações com "tudo e seu contrário" em torno desta matéria, referindo-se ao argumento invocado pelo Governo de não iria atualizar as pensões segundo a fórmula porque não queria comprometer o sistema da Segurança Social - que acabou por atualizar.

A mira do líder do PSD foi também colocada nas escolhas do atual executivo para aplicar a famosa 'bazuca europeia', com Montenegro a afirmar que o Governo está a usar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para "substituir" o investimento público que não fez nos últimos sete anos em que esteve em funções.

"O PRR é a substituição dos investimentos não executados dos últimos sete Orçamentos do Estado. Esta é que é verdade e é preciso dizê-la olhos nos olhos aos portugueses, é preciso dizer que o rei vai nu, é preciso dizer que isto não dá futuro", assinala.

Montenegro acrescenta que "é por causa disto que nós não criamos a riqueza suficiente para ter um nível de contribuições, que seja em termos relativos, menor de cada um, mas seja em termos gerais superior", lamentando que o Plano de Recuperação e Resiliência não seja utilizado para gerar riqueza no país. O presidente do PSD diz mesmo que nos últimos sete anos, Portugal assistiu a um "desinvestimento inigualável" nos serviços públicos.

Noutro plano, Montenegro destaca a "grande deterioração da situação governativa" de um executivo que tem "todas as armas e instrumentos" para Governar e de não as utilizar:

"Um governo que dispõe de todas estas armas e instrumentos, que é ter uma maioria absoluta no Parlamento, ter a colaboração institucional de todos os órgãos de soberania, ter a maioria das câmaras municipais ter uma grande representação no Parlamento Europeu, ter até uma Comissária Europeia ter todos esses instrumentos e não os utilizar. Não os merecer é um sinal de fim de grande deterioração da situação governativa e política e da autoridade governativa", critica o líder do PSD.

Depois de, esta quarta-feira ter voltado a garantir que o PSD "não vai contar com a extrema-direita para governar" sem voltar a nunca mencionar o Chega, Luís Montenegro preferiu não responder às perguntas dos jornalistas.

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