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Presidenciais. Investigadores admitem abstenção recorde até 70%

20 jan, 2021 - 10:12 • Lusa

Efeito Covid-19 sobre o voto é imprevisível, dizem dois especialistas. O atual recorde de abstenção em presidenciais foi alcançado na reeleição de Cavaco Silva, em 2011. Mas é preciso recuar a 2006 para se encontrar uma participação com mais de cinco milhões de portugueses.

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As presidenciais de domingo podem registar uma abstenção recorde, entre os 60% e os 70%, devido ao medo da pandemia de Covid-19, ao desinteresse dos eleitores e por haver um candidato favorito, dizem especialistas ouvidos pela Lusa.

Carlos Jalali, professor de Ciência Política da Universidade de Aveiro, e Pedro Magalhães, sociólogo e investigador principal do Instituto de Ciências Sociais (ICS – Universidade de Lisboa), concordam que o efeito Covid-19 é imprevisível e muito difícil de medir e antecipar, utilizando argumentos e dados complementares.

A grande incerteza será o efeito da pandemia sobre o voto”, admitiu à Lusa Carlos Jalali, que estudou várias tendências, “modelos” nos últimos anos e descreve o que é o efeito “iô-iô”: quando há eleições em que os presidentes se recandidatam, a abstenção sobe e desce nas seguintes, cinco anos depois, quando há maior disputa.

As presidenciais em que Mário Soares foi reeleito em 1991 “tiveram a abstenção mais alta até essa altura”, mas esse recorde foi depois “ultrapassado em 2001”, na reeleição de Jorge Sampaio, e “ultrapassado novamente em 2011, na eleição que reconduziu Cavaco Silva” em Belém, descreveu.

Além disso, desde 1991 que, em eleições em que o Presidente se recandidata, que “o número de votantes diminui em média cerca de um milhão relativamente à eleição anterior”, acrescentou.

“Se nesta eleição se reproduzisse essa média, a abstenção oficial seria ligeiramente acima dos 65%”, afirmou ainda o professor da Universidade de Aveiro, que tem estudado comportamento eleitoral dos portugueses.

Mais um fator a ter em conta é o efeito do recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro, desde 2018, que pode fazer aumentar a abstenção em 5,1 pontos percentuais, para os 56,4% relativamente a 2016, partindo do pressuposto que os eleitores, em Portugal e “lá fora”, mantinham o mesmo comportamento.

Outra forma de compreender o comportamento do eleitorado é “modelizar” com base no “número de votantes mínimo” em eleições em Portugal.

“Se o número de votantes for igual ao das eleições menos participadas dos últimos 10 anos (contando aqui todas as eleições nacionais, presidenciais, legislativas, europeias e autárquicas), em que votaram ligeiramente menos de 3,3 milhões de votantes, a abstenção oficial nestas presidenciais seria de 70%”, disse ainda Carlos Jalali em respostas, por escrito, a questões feitas pela Lusa.

Jalali avisa, porém, que estes “valores não são previsões de abstenção”, mas sim “modelizações com base em padrões anteriores”, deixando mais uma advertência.

O passado não determina o futuro. Caso fossemos eternos prisioneiros do passado, Portugal não seria agora uma democracia e não estaríamos agora a falar de sobre eleições presidenciais por sufrágio universal, em eleições livres e justas”, justificou.


4 razões para uma abstenção elevada

Pedro Magalhães, sociólogo e investigador do ICS, com investigações na área da abstenção, tem uma opinião e explicações idênticas e admite ser “muito provável” que o valor dos eleitores a ficar em casa atinja um recorde, e apresenta quatro razões.

Em Portugal, argumentou, há “cada vez menos pessoas” a participar em eleições e é preciso recuar até às presidenciais de 2006 para se encontrar uma eleição com mais de cinco milhões de portugueses.

O segundo é o recenseamento automático dos eleitores no estrangeiro, uma “medida positiva”, por dar “uma estimativa mais realista de quem vota entre o real universo” de eleitores, mas que “revela mais abstenção”.

“O terceiro fator é o facto de eleitores e políticos darem menos importância a eleições onde o Presidente é candidato e claro favorito. São eleições menos mobilizadoras e onde os próprios partidos e candidatos fazem menos esforços para mobilizar os eleitores”, disse Pedro Magalhães, em respostas por escrito a perguntas da Lusa.

O “quarto e último fator” é a pandemia em que vivem Portugal e o mundo, e “os receios e obstáculos que isso coloca à participação”, concluiu.

Carlos Jalali afirma que “o efeito da pandemia quase certamente irá sobrepor-se" aos outros fatores e que “é difícil antever” o seu efeito sobre o voto nas presidenciais.

No início de janeiro, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) lançou uma campanha intitulada “Votar é seguro”, tão seguro como "uma ida às compras ou ao café", esperando que a pandemia de Covid-19 não seja “mais uma desculpa” para não votar.


As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de Covid-19, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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