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Português detido na operação Montana aguarda extradição para Espanha

17 abr, 2024 - 22:49 • Lusa

A operação conjunta das autoridades portuguesas e espanholas permitiu desmantelar uma rede criminosa internacional de tráfico de estupefacientes e branqueamento de capitais, ativa há oito anos na União Europeia e América do Sul.

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Um cidadão português, com 40 anos, é o único detido em território nacional, no âmbito da operação Montana, encontrando-se preso preventivamente, a aguardar um pedido oficial de extradição das autoridades espanholas, anunciou esta quarta-feira a Polícia Judiciária.

O suspeito foi presente ao Tribunal da Relação do Porto, revelou hoje, em conferência de imprensa, em Lisboa, o coordenador de investigação criminal Pedro Vicente, da Unidade Nacional de Combate à Corrupção.

A operação conjunta das autoridades portuguesas e espanholas permitiu desmantelar uma rede criminosa internacional de tráfico de estupefacientes e branqueamento de capitais, ativa há oito anos na União Europeia e América do Sul.

Foram detidas 20 pessoas e realizadas 13 buscas, nos dias 6 e 7 de março, sob coordenação da Europol.

A rede criminosa usava identidades roubadas de cidadãos colombianos, portugueses, espanhóis e venezuelanos, sendo suspeita da "lavagem" de mais de 10 milhões de euros.

Segundo a PJ, a rede era investigada desde 2021 pelas autoridades espanholas - Mossos d"Esquadra e Polícia Nacional -, com a indicação da participação de cidadãos portugueses, que faziam o transporte de dinheiro e posterior depósito em contas bancárias nacionais, tituladas por portugueses com ligações à diáspora portuguesa na América Latina.

Em Portugal, foram realizadas duas buscas domiciliárias na zona de Ílhavo e de Aveiro, visando o principal suspeito, que fazia o transporte de dinheiro de Espanha para Portugal e que recebia indicações de cabecilhas da rede criminosa para a recolha de dinheiro em Espanha.

No transporte para Portugal, o dinheiro era escondido no veículo do suspeito e depois depositado em bancos portugueses, em contas tituladas por outros suspeitos, que pertencem à diáspora portuguesa na América Latina, sobretudo na Venezuela.

O principal suspeito português não residia na morada fiscal, em Ílhavo, mas com a família numa "moradia luxuosa" na zona de Aveiro, propriedade de uma empresa em nome da mulher, que foi alvo de buscas, segundo a PJ.

No decurso das buscas, foram apreendidos mais de 40.000 euros em dinheiro, máquinas de contar dinheiro, joias e barras em ouro, documentos bancários, uma arma de fogo e apontamentos escritos que, segundo a PJ, ligam o detido ao branqueamento de dinheiro, oriundo do tráfico de droga em Espanha.

A "Operação Montana" resultou na apreensão de 156.000 euros em dinheiro, barras de ouro avaliadas em 35.000 euros, 50 veículos, joias e relógios de luxo, e no bloqueio de mais de 100 contas bancárias e 10 imóveis com valor superior a três milhões de euros.

"As autoridades espanholas e portuguesas continuam a efetuar diligências para identificar e localizar outros cidadãos relacionados com este esquema de branqueamento", informa a PJ em comunicado hoje divulgado.

Em Portugal, a investigação centrou-se mais no branqueamento de capitais, acrescentou o coordenador da PJ. Durante a conferência de imprensa, Pedro Vicente afirmou que o suspeito português foi abordado em Lisboa.

Foram identificadas 80 contas suspeitas em Portugal, para onde eram transferidas verbas em pequenas quantias para despistar as autoridades. Uma vez iniciadas as contas, eram feitas transferências para a Venezuela.

Cerca de 3,5 milhões de euros terão passado pelas contas em questão, durante um ano e meio, indicou Pedro Vicente.

A investigação neste momento, referiu a mesma fonte, centra-se neste suspeito e em "30 testas de ferro".

"Todas essas pessoas serão abordadas na investigação", garantiu, indicando que algumas, apesar de manterem alguma ligação à diáspora já se encontram em Portugal.

O circuito foi referenciado no início de 2018, em Espanha.

O destino da droga proveniente do Brasil (cocaína) era todo o território europeu, incluindo Portugal, admitiu o coordenador.

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