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Mais de 60% dos portugueses não leem. "É um número que nos devia envergonhar”, diz presidente da APEL

21 dez, 2023 - 01:00 • Marisa Gonçalves

Os portugueses têm vindo a gastar cada vez mais dinheiro em livros, mas isso não tem reflexo nos hábitos de leitura.

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Um estudo realizado para a Fundação Calouste Gulbenkian, em 2021, conclui que 61% dos portugueses não leu qualquer livro, dado que leva o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Pedro Sobral, a falar em "vergonha".

"É um número que nos deve envergonhar a todos" diz à Renascença.

A época do Natal é ansiada por editores e livreiros para realizar mais liquidez. “Continua a ser um período relevantíssimo”, confirma o presidente da APEL.

A associação do setor confirma que os portugueses têm vindo a gastar cada vez mais dinheiro em livros. Em 2022, 62% dos portugueses compraram livros, mas Pedro Sobral sublinha que tal pode não corresponder a um aumento de livros lidos.

“Muitos são comprados para oferta e também para leitura futura, mas, depois, não há esse incentivo para ler. É o mito de que não há tempo ou que não há espaço na nossa vida. Temos, de uma vez por todas, de considerar que a leitura tem de ser um hábito diário”, defende.

Pedro Sobral diz ouvir muitas vezes dizer que "precisamos de ser um país desenvolvido, para aumentar os índices de leitura e o acesso aos livros, como se o livro fosse um bem de luxo", mas o presidente da APEL considera ser exatamente o contrário: "É tendo índices de leitura regulares, habituais e muito próximos da média das União Europeia que podemos consegui ser um país desenvolvido."

A APEL espera que a venda de livros continue a crescer. Pedro Sobral deposita expetativas no cheque-livro para jovens de 18 anos que vai entrar em vigor e garante que vai insistir na redução do IVA.

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  • Anastácio José Marti
    21 dez, 2023 Lisboa 09:06
    Deve haver o bom senso em separar os que não leem porque não querem e os que o fazem por não saber, porque é inadmissível que em pleno século XXI tenhamos como temos a taxa de analfabetismo que temos, porque o sistema de ensino não estimula, nem incentiva seja quem for, e se olharmos para o Nº de licenciados que está sem trabalho, ou tem trabalho precário, ou é vítima de reais homicídios profissionais pelo Estado nunca desempenhando funções compatíveis com as suas formações académica e profissional, estão aqui alguns dos motivos pelos quais o país e as políticas que tem seguido nunca estimularam, nem motivaram ninguém pelo gosto da leitura, pois quanto maior é o grau de escolaridade, maior é a desilusão entre o que se preparou e o que encontrou num país que assim obriga os seus cidadãos a abandoná-lo para que tenha alguma expetativa profissional, alguma capacidade económica para fazer face aos encargos de uma habitação e d euma vida com o mínimo de dignidade o que vais faltando a muitos neste ainda país.

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