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1928-2023

Morreu a cantora Margarida Amaral, aos 95 anos

07 out, 2023 - 10:19 • Lusa

Margarida Amaral protagonizou uma carreira de mais de 50 anos, tendo sido a primeira artista a cantar nas emissões experimentais da RTP, na Feira Popular, em Lisboa, em 1956.

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A cantora Margarida Amaral, a primeira artista a cantar nas emissões da RTP, morreu este sábado, aos 95 anos, na Casa do Artista, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

Margarida Amaral protagonizou uma carreira de mais de 50 anos, tendo sido a primeira artista a cantar nas emissões experimentais da RTP, na Feira Popular, em Lisboa, em 1956.

O convite para atuar na RTP foi do jornalista Raul Feio, que trabalhava na então Emissora Nacional, e foi o primeiro apresentador da televisão pública.

A cantora, que nasceu a 10 de março de 1928, em Lisboa, tinha iniciado o percurso artístico nos programas de José Oliveira Cosme, no Rádio Clube Português.

Mais tarde, Margarida Amaral apresentou-se para provas na Emissora Nacional, onde se manteve até à desativação desta, em dezembro de 1975 para dar lugar à Radiodifusão Portuguesa (RDP).

Margarida Amaral foi avaliada por um júri composto pelos maestros Belo Marques e Tavares Belo, o compositor Nóbrega e Sousa, e o chefe dos serviços musicais da Emissora, Pedro do Prado.

A aspirante a cantora passou então a fazer parte do Coro Feminino da Emissora e, mais tarde do Quarteto Feminino, da estação. Prosseguiu a carreira nos quadros da Emissora, tendo sido solista da Orquestra Típica Portuguesa. Foi num espetáculo transmitido em direto de Pombal, da Orquestra Típica, sob a direção do maestro Belo Marques, em julho de 1949, que estreou um dos seus maiores sucessos “Alô”.

Um outro sucesso seu foi “Viva o Sporting” (Artur Ribeiro/Jaime Filipe), que festejou a vitória do Sporting, em 1964, na Taça das Taças, frente ao MTK de Budapeste, graças ao “cantinho de Morais”, como ficou celebrizado o golo de João Paulo da Encarnação Morais.

Do repertório de Margarida Amaral fazem parte êxitos como “Dorme Meu Menino” (Manuel Azambuja/Nóbrega e Sousa), “Santo Antoninho das Neves” (António Vítor/Eduardo Loureiro), “Evocação” (Alberto Pais Salvação), “Julgo Que Sei, Mas Não Sei” (Belo Marques/Casimiro Silva), “Mentiras de Amor” (João Nobre), “Malmequeres” (Manuel Paulino Júnior/Tavares Belo), “Rosas de Toucar” (José Oliveira Cosme) e as cantigas de homenagem a localidades, refira-se “Caldas da Rainha” (Moreira da Câmara/Nóbrega e Sousa), S. Pedro de Moel” (Ferreira da Silva/Eduardo Loureiro), “Sesimbra” (António da Cruz/Eduardo Jorge Vizinho) e “Estoril” (José Ludovice/Fernando d'Eça Leal), posteriormente gravada por Lina Maria Alves e Paula Ribas.

A cantora recriou com sucesso a canção “Camélias” (Alberto Barbosa, Luiz Galhardo da Silva e Xavier de Magalhães/Raul Ferrão), uma criação de Corina Freire, que apresentou no programa televisivo “Melodias de Sempre”, do qual fez parte do elenco, a convite do produtor Melo Pereira.

Numa entrevista à RTP a cantora referiu as “condições difíceis” em que trabalhou, tendo percorrido “o país do Minho ao Algarve”, e, apesar de convites para atuar nas então províncias ultramarinas portuguesas, nunca aceitou. O facto de ter um filho, prendeu-a, justificou.

Com “Vai-se a Noite num Ai” (Mariana Filomena/Germâni Correia) classificou-se em 2.º lugar num concurso de Marchas de Lisboa.

“Nas Voltinhas do Marão” (António Pedro), “Andam Cantigas no Ar” (Aníbal Nazaré/Fernando de Carvalho) foram outros êxitos seus, assim como “O Que Tem os Teus Olhos”; “Expressão”, “Vira do João”; “Sol Português” e “Festa dos Aventais”.

O velório da cantora realiza-se hoje na Igreja do Cristo Rei, na Portela, no concelho de Loures, nos arredores de Lisboa.

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