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Presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia

Novas mutações impõem “corrida contra o tempo” e variante Delta é "mais resistente à vacinação"

15 jun, 2021 - 10:40 • Joana Gonçalves

"Não há motivo para alarme", mas esconder maior transmissibilidade e resistência à vacina contra a Covid-19 "seria negar os dados científicos", defende o virologista Paulo Paixão, em declarações à Renascença.

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A variante Delta, inicialmente identificada na Índia, é agora responsável por mais de 42 mil casos de Covid-19 no Reino Unido, onde 5% dos infetados com a estirpe tinham já recebido as duas doses da vacina.

Por cá, os especialistas garantem que "não há motivos para a alarme", mas confirmam que a variante, que já apresenta transmissão comunitária, é mais contagiosa e mais resistente à vacinação.

"Não temos grandes dúvidas de que esta variante Delta tem uma maior capacidade de transmissão", afirma Paulo Paixão, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia.

"Há dados que sugerem que esta nova variante é mais resistente à vacinação, sobretudo se só tiverem uma dose, quer da Pfizer, quer da Astrazenca", acrescenta o professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Para o especialista, este facto justifica a decisão do Reino Unido, inicialmente apologista do alargamento do tempo entre a primeira e a segunda dose, e que recentemente optou por mudar de política, ao "perceber que uma só dose não garante proteção necessária".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou na segunda-feira o adiamento, por um mês, da última fase de desconfinamento no Reino Unido devido aumento de casos de contágio pela variante Delta.

Paulo Paixão alerta para a inevitabilidade do surgimento de variantes cada vez mais transmissíveis e defende, por isso, a necessidade de aceleração do processo de vacinação. “Isto é uma corrida contra o tempo", diz.

"As novas variantes, para se imporem, têm de ter alguma vantagem relativamente às outras. Ora, essa vantagem é transmitirem-se de forma mais fácil. Não tenho dúvida de que se não tivéssemos a vacinação, em vez de termos 600 ou 700 casos diários, teríamos milhares. Agora [a vacinação] não consegue fazer tudo, sobretudo enquanto tivermos estes níveis de população vacinada, que são bons, mas não são suficientes para conseguirmos bloquear a circulação do vírus", explica o virologista.

Questionado sobre a eficácia de vacinas de dose única, como é o caso do fármaco da Johnson & Johnson, no combate à infeção com variante Delta, o especialista diz desconhecer dados consistentes que o comprovem. "É uma questão muito interessante, mas tanto quando sei essa vacina não tem ainda sido muito usada no Reino Unido e, portanto, que eu saiba não há ainda estudos consistentes que permitam responder a essa pergunta".

Apesar das questões que estão ainda em aberto, o virologista deixa uma garantia. "Seja para qual das vacinas e para qual das variantes, a eficácia é boa, mas não é absoluta. É preciso entender-se que a probabilidade de uma pessoa ir parar aos cuidados intensivos depois de receber as duas doses da vacina é muito baixa, mas não é nula".

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