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Há mais doentes com cancro a chegar aos hospitais e em fase mais avançada

05 mai, 2021 - 19:34 • Hugo Monteiro

IPO do Porto está já a preparar-se para um aumento significativo do número de doentes. Ordem dos Médicos alerta para "uma pressão enorme sobre os serviços de saúde" e pede um programa excecional para ampliar rastreios.

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Há uma subida de casos de doença cancerígena em Portugal, alerta a Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC). Depois da redução das consultas por causa da pandemia, está a aumentar de forma substancial o número de pessoas que procuram os serviços de oncologia nos hospitais e em fases avançadas da doença. O IPO do Porto confirma que o número de doentes referenciados que ali chegam já está ao mesmo nível pré-pandemia.

No último ano, como reflexo da pandemia, verificou-se uma quebra muito significativa no número de consultas, exames e rastreios. Como tal, muitos casos de doença oncológica terão ficado por diagnosticar. Agora, com o alívio nos números da Covid-19, os utentes estão a regressar aos serviços de saúde.

A situação leva a que o número de doentes referenciados que chegam ao Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto já esteja ao mesmo nível de 2019, ainda antes da pandemia. Os primeiros quatro meses do ano, houve uma subida de mais de 20%, como revela o presidente do IPO do Porto, Rui Henrique, em declarações à Renascença.

“O mês de fevereiro já foi de recuperação face a janeiro e essa recuperação acentuou-se de uma forma muito significativa em março e abril. No mês de abril deste ano tivemos, praticamente, o dobro dos doentes em comparação com o ano passado, mas temos de ter em atenção que no ano anterior tínhamos tido uma redução extremamente significativa em abril, que foi um dos meses altos da pandemia. Face a 2020, tivemos um incremento de 22%, que representa estamos a nível da referenciação em 2019, que foi um ano normal.”

O presidente do IPO do Porto assume que é expectável que estes números continuem a aumentar para níveis bem acima dos registados antes da pandemia.

“Nós estamos, neste momento, a recuperar para os níveis pré-pandemia. Para a forma como estamos a ver esta evolução, é muito natural que nos próximos meses vejamos um incremento. Foram doentes que não tiveram o seu diagnóstico nos meses anteriores e que, agora, à medida que os cuidados primários e outras estruturas os vão avaliando, sejam referenciados para nós. Desenvolvemos já algumas ações de reforço da capacidade de resposta porque já tivemos essa perceção.”

O IPO do Porto está já a preparar-se para um aumento significativo do número de doentes que, com o alívio da pandemia, estão a regressar às consultas, exames e rastreios.

"Doentes estão a chegar em estádios mais avançados"

Também a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) confirma que há mais casos de doença oncológica a serem detetados, e em estádios mais avançados.

O presidente da LPCC, Vitor Rodrigues, diz que estes casos estão a ser diagnosticados cada vez mais tarde.

“Estão a ir ao mesmo tempo aquelas pessoas que normalmente, no seu devido tempo, recorrem devido a suspeita de doença oncológica e também aquelas que têm muitos atrasos. Agora que as pessoas estão a voltar normalmente aos serviços de saúde, esses doentes estão a chegar em número apreciável aos cuidados de saúde primários, aos hospitais e verifica-se um elevado número de pessoas que estão a chegar em estádios mais avançados do que era habitual e, em alguns casos, com mestatizações que, se não fosse a pandemia, não chegavam.”

Situação mais complicada em cancros como de pulmão e estômago que já, habitualmente, são identificados em fases avançadas, agora estão a ser identificados ainda mais tarde.

Ordem pede programa excecional para ampliar rastreios

Esta é uma situação que apenas está a acontecer nas doenças oncológicas? Em declarações à Renascença, o bastonário da Ordem dos Médicos diz que não.

Miguel Guimarães diz que, de um modo geral, em todo o sistema de saúde é já visível um regresso dos utentes e um aumento da pressão nos hospitais e centros de saúde.

“Vai começar a existir e já está a acontecer uma maior procura dos serviços de saúde, porque a pandemia está numa fase mais calma em que as pessoas já não têm receio de ir aos hospitais e centros de saúde e isto vai causar uma pressão enorme sobre os serviços de saúde e vamos ter que ter aqui um plano excecional, por um lado, para recuperar os doentes que não foram tratados e foram identificados e, sobretudo, ter um programa excecional que permita ampliar os rastreios habituais e permita identificar, o mais rápido possível, as pessoas que não chegaram ao sistema porque não fizeram rastreios.”

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que é urgente colocar os médicos de regresso às suas especialidades.

Miguel Guimarães pede que os clínicos sejam dispensados de trabalho burocrático e que deixem de estar, quase em exclusividade, a tratar casos de Covid-19.

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