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Desconfinamento

Ordem dos Médicos Norte apela ao cumprimento das regras para não se voltar atrás

28 abr, 2021 - 07:42 • Beatriz Lopes , Marta Grosso

Em declarações à Renascença, António Araújo avisa que só dentro de três semanas se saberá se o aumento de casos terá reflexos nos hospitais. Defende mais rastreios e uma aceleração da vacinação à população doente, por exemplo, com cancro.

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O presidente do conselho regional do Norte da Ordem dos Médicos apela à população que cumpra as regras sanitárias, caso contrário a situação pode voltar a agravar-se, com reflexos nos hospitais.

“Este aumento do número de casos tem vindo a ser mais significativo em populações mais jovens e, portanto, com menos risco de internamento, mas é expectável que, subindo o número de casos, venha a subir de alguma forma o número de internamentos”, prevê António Araújo.

“Há sempre uma ‘décalage’ no tempo, cerca de duas a três semanas, entre o aumento do número de casos e o aumento do número de internamentos e depois o aumento no número de doentes internados em cuidados intensivos e depois um aumento de fatalidades. Provavelmente, só daqui a 15 dias/três semanas é que teremos esse reflexo”, prossegue.

Nesta altura, o Norte do país é a única região com um índice de transmissibilidade acima de 1 e os especialistas já avisaram que, a manter-se o ritmo, poderá atingir-se a linha vermelha – ou seja, os 120 casos por 100 mil habitantes – entre duas semanas a um mês.

À Renascença, o presidente do conselho regional do Norte da Ordem dos Médico reforça o apelo ao cumprimento das regras sanitárias e defende o aumento do número de rastreios para reverter a situação na região, nomeadamente ao nível das escolas e das profissões “que têm mais contacto com o público”.

Além disso, é acelerar a vacinação, sobretudo da população doente. António Araújo é também diretor do serviço de oncologia do Hospital de Santo António, no Porto, e deixa duras críticas ao ritmo da vacinação desta população que, na sua opinião, deveria ser prioritária.

“O que temos verificado é um atraso grande na vacinação destes doentes. Os doentes oncológicos não têm um risco acrescido de contrair a infeção, o facto é que se contraírem a infeção têm um risco acrescido de contraírem formas mais graves, de terem maior número de internamentos em cuidados intensivos e uma taxa de mortalidade mais elevada”, avisa.

Aliás, um dos efeitos secundários da pandemia de Covid-19 foi o atraso nos diagnósticos destes doentes.

“Continua a haver alguns atrasos, porque os cuidados de saúde primários continuam relativamente fechados ao acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde. No caso de cancro do pulmão, os doentes têm chegado às consultas em estadios mais avançados e os doentes em piores condições físicas e, portanto, a tolerar menos bem ou não permitir tratar”, avança.

Nestas declarações à Renascença, o especialista mostra-se ainda crítico da gestão da pandemia, considerando que “o Estado, desde o início, deixou grande parte das decisões no terreno às autarquias, às autoridades de saúde”, em vez de haver uma coordenação mais central, o que, no seu entender, “ajudaria em termos de políticas de saúde pública e depois em termos de investimentos”.

É assim também que o presidente do conselho regional do Norte da Ordem dos Médico reage às críticas dos deputados do PSD e do PS da Câmara Municipal do Porto, que acusam a autarquia de investir pouco no combate à pandemia (cerca de 15 vezes menos do que Lisboa).

Nesta altura, a região Norte é a que tem maior risco de não avançar para a última fase de desconfinamento já na próxima segunda-feira. Paredes, Penafiel e Paços de Ferreira são os três concelhos do país que, devido à densidade populacional e ao número de habitantes, mais preocupam os especialistas.

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