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Covid-19. Governo quer testagem gratuita e sem prescrição clínica

10 fev, 2021 - 10:20 • Susana Madureira Martins , Marta Grosso

No Parlamento, ministra da Saúde assume divergências sobre política de testes e admite que número de consultas e de cirurgias baixou em 2020.

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O aumento da testagem à Covid-19 é uma das prioridades da ministra da Saúde para 2021. Marta Temido está nesta quarta-feira no Parlamento, na primeira audição regimental do ano. Na intervenção inicial, definiu a testagem como um dos primeiros desafios deste ano.

Perante os deputados, assumiu que tem havido divergências sobre a necessidade de aumentar a testagem: “a questão relacionada com a utilização mais ou menos massiva dos testes tiveram entendimentos distintos”, afirmou.

“Vale a pena recordar que uma perspetiva mais médica, mais clínica, continua a entender que os testes não devem ser prescritos independentemente da circunstância de uma necessidade clinicamente comprovada”, explicou, adiantando que “a questão da utilização mais generalizada de outros profissionais que não profissionais de saúde na realização de inquéritos epidemiológicos também se depararam com dificuldades de entendimento sobre aquilo que é e aquilo que não é o conceito de inquérito epidemiológico”.

A Renascença sabe que o Governo tem pressionado a Direção-Geral de Saúde (DGS) a rever o plano de testes, o que vai acontecer agora. A revisão do plano de testagem já foi pedida pela ministra à DGS e vai arrancar.

No Parlamento, Marta Temido definiu o guião do novo plano. “Para efeitos de recomendação da realização de um teste, deve ser considerado todo o contacto, independentemente do nível de risco”, disse.

Ou seja, não haverá restrição à “realização de teste àquilo que é um contacto classificado como de risco na avaliação epidemiológica”, podendo ser avaliado que teste aplicar, dentro daquilo “que são as várias tipologias de testes no mercado”, aos vários contactos, “de risco e contactos de mais baixo risco”.

Além disso, deve ainda ser ponderado “ativamente aquilo que é a realização massiva de testes em setores da atividade económica que neste momento não estão parados. Por exemplo, indústria e construção civil”, anunciou.

O novo guião já foi transmitido à DGS e Marta Temido quer uma resposta o mais rápido possível. A ministra quer “acesso gratuito, pago pelo Estado, obviamente, a estas metodologias e a sua disponibilização em locais simples, prescindindo daquilo que é a prescrição clínica”.

Além disso, defende “o entendimento mais restritivo da utilização dos testes na circunstância de teste de diagnóstico, de confirmação de doença, mas passando mais como metodologia de identificação precoce de eventuais casos suspeitos e de segregação no sentido positivo de pessoas infetadas, protegendo-as e protegendo a sociedade”.

“Este foi o pedido que politicamente foi feito às instâncias técnicas, que têm agora que se pronunciar sobre ele e esperamos que o façam brevemente para ultrapassarmos este tema”, concluiu.

No mesmo sentido foi a intervenção do secretário de Estado adjunto e da saúde António Lacerda Sales, para quem é preciso “testar, testar, testar”.

“É fundamental implementarmos agora e estamos a estudar uma metodologia para utilizarmos uma testagem maciça”, anunciou, referindo que a metodologia está a ser estudada pela Direção-Geral de Saúde, em colaboração com o Instituto Ricardo Jorge (INSA) e o Infarmed.

“É muito importante testar, testar, testar, porque vai-nos permitir depois, a montante da situação – que é ao nível dos rasteadores e ao nível do rastreamento – podermos atuar, como temos atuado, para isolar aquilo que são os casos infetados e os casos coabitantes e respetivos casos de alto risco”, acrescentou Lacerda Sales.

O epidemiologista Manuel do Carmo Gomes já defendeu que a testagem é a “arma principal” no combate à pandemia e que deve evitar-se o confinamento, apontando “três linhas vermelhas” que não devem ser ultrapassadas.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa falava terça-feira na reunião no Infarmed (Lisboa), antes de anunciar que vai deixar de participar nestas apresentações.

Menos consultas e cirurgias em 2020

Na audição parlamentar, a ministra da Saúde assumiu a redução drástica do número de consultas e de cirurgias em 2020 em comparação com os números de 2019: uma “perda de 1,2 milhões de consultas, mas num volume de 12,4 milhões de consultas de especialidade hospitalar. Ao nível das cirurgias, também uma redução de 126 mil cirurgias face a um volume que era de 704 mil em 2019”.

Também na urgência hospitalar houve uma redução de episódios – “uma redução de 1,8 milhões de episódios num volume de 6,4 milhões que foram registados em 2019”.

Sobre a vacinação, Marta Temido avançou que, até ao final da semana, irá estar disponível o anunciado simulador, para que os maiores de 50 anos com comorbilidades e maiores de 80 possam confirmar que os seus nomes constam da lista de prioritários a vacinar.

“A partir do final desta semana, haverá também um simulador onde as pessoas podem elas próprias, com a ajuda de um familiar, inserir os seus dados e verificar se estão incluídas ou não”, anunciou.

No processo de vacinação, destacou ministra, é muito importante o apoio do poder local e das associações: “obviamente que o apoio das autarquias, das juntas de freguesia, das associações de utentes, das associações de moradores é essencial neste processo”.

“Será essencial para organizar o transporte – eu diria que já era essencial para organizar o transporte destas pessoas, porque é fundamental ir à vacinação como já era fundamental ir ao médico e a rede de transportes é a melhor forma de assegurar proximidade. Portanto, o nosso trabalho é o de garantir que esta articulação é feita no terreno”, apontou.

Nesta audição a ministra da Saúde fez ainda o balanço sobre a medicina intensiva: neste momento, há 1411 camas em unidades de cuidados intensivos (UCI).

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