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Mais de 25% de estudantes adolescentes apresentam sintomas de depressão

03 out, 2018 - 15:13

Estudo foi apresentado hoje durante o VII Encontro “+Contigo”, programa que integra o Plano Nacional de Prevenção de Suicídios. As raparigas são as mais vulneráveis.

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Um em cada quatro alunos do 7.º ao 12.º ano apresenta sintomas de depressão, com especial incidência nas raparigas, concluiu um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, esta quarta-feira apresentado.

O estudo realizado durante o ano letivo 2017/2018, no âmbito do programa “+Contigo”, envolveu cerca de 6.900 alunos, dos quais 6.100 foram validados, diz o coordenador José Carlos Santos, enfermeiro especialista em saúde mental.

“Há cerca de 26% de adolescentes que têm sintomatologia depressiva, desde leve a moderada e grave, e destes, 600 (cerca de 40%) estão em risco mais elevado de terem comportamentos auto lesivos”, afirma o responsável à agência Lusa.

No terreno há nove anos, o programa “+Contigo” tem vindo a crescer de forma progressiva ao longo dos anos, abrangendo escolas das regiões Centro e Sul, Algarve e Açores, mas o objetivo é dentro de dois anos ser estendido à região Norte.

De acordo com José Carlos Santos, “há mais vulnerabilidade nas raparigas no que toca à saúde mental, comparativamente com os rapazes, e há mais vulnerabilidade no ensino secundário do que no terceiro ciclo”.

“Comparativamente aos anos anteriores, não há uma melhoria, há alguma estabilidade em termos de números e há um ligeiro da sintomatologia depressiva, sobretudo moderada e grave na avaliação inicial, embora no final tenhamos conseguido reduzir um pouco essa sintomatologia depressiva”, sublinha.

No entanto, acrescenta, “do ponto de vista da saúde mental não podemos dizer que os indicadores estão melhores, mas sim que houve alguma estabilidade com ligeiro agravamento da sintomatologia depressiva”.

“Quem esteve no projeto melhorou o bem-estar, o autoconceito e o 'coping' [processo cognitivo para lidar com situações de stress], resultados muito evidentes de efetividade do programa, sendo de registar que, nas escolas onde o ‘+Contigo’ está implementado, não houve situações de comportamentos suicidários registados”, frisa.

José Carlos Santos destacou ainda um outro projeto realizado numa escola do Sul, em que a equipa do programa foi chamado a intervir devido à existência de três suicídios no ano letivo 2016/17.

“Estivemos lá a intervir no ano passado e, passado um ano, registamos com muita satisfação que não houve repetição de comportamentos suicidários, o que nos deixa muito felizes por termos prevenido algo que é relativamente comum, particularmente entre adolescentes, que é a repetição dos comportamentos de alunos no mesmo contexto”, sublinha.

O coordenador do programa “+Contigo” chama ainda a atenção para o que está a acontecer na Irlanda, onde houve um aumento drástico de suicídios de adolescentes entre os 15 e os 19 anos.

“A história desses adolescentes é concomitante com a nossa: são adolescentes que fazem cortes, que não têm qualquer acompanhamento do ponto de vista da saúde e que numa adolescência mais tardia cometem suicídio”, indica José Carlos Santos, mostrando alguma apreensão.

“Isso releva a importância deste projeto, o estarmos atentos a estes jovens que não têm contacto com profissionais de saúde, mas que de facto, como a Irlanda demonstrou nestes últimos três anos, são jovens de elevado risco para comportamentos suicidários”, conclui.

O estudo sobre os adolescentes em Portugal foi apresentado durante o VII Encontro “+Contigo” (programa que integra o Plano Nacional de Prevenção de Suicídios), que decorre durante todo o dia na ESE de Coimbra.

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