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Monarquia

Morreu o filho do último rei da Itália

04 fev, 2024 - 00:01 • Keith Weir, Reuters

Vittorio Emanuele de Saboia, filho de Umberto II, o último monarca italiano, e de Maria José, morreu aos 86 anos.

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Vittorio Emanuele de Sabóia, único filho do último rei da Itália, que viveu exilado na vizinha Suíça durante a maior parte de sua vida, morreu aos 86 anos na sua casa em Genebra, informou a Casa Real de Sabóia.

Nascido na cidade de Nápoles, no sul de Itália, deixou a sua terra natal aos 9 anos de idade, quando o seu pai, Umberto II, foi forçado a partir após o referendo nacional de 1946, que aboliu a monarquia e estabeleceu uma república. Declarou-se rei da Itália e lutou por muito tempo contra a norma da Constituição italiana que proibia todos os membros masculinos da sua família de regressar ao país.

Vittorio Emanuele regressou finalmente a solo italiano em novembro de 2002, depois de o parlamento ter levantado a proibição, viajando para Roma para uma breve visita, pouco antes do Natal, e para uma audiência com o Papa João Paulo II. Mas teve uma receção fria no seu regresso, já que a imagem da Casa de Sabóia foi manchada pela sua associação, durante a Segunda Guerra Mundial, com o ditador fascista Benito Mussolini.

A sua própria reputação acabou manchada quando foi acusado, em 1978, de atirar e matar acidentalmente o alemão Dirk Hamer, de 19 anos, num porto da Córsega. Hamer estava a dormir no convés de um barco quando a arma de Vittorio Emanuele disparou durante uma discussão com turistas. Hamer nunca recuperou e morreu alguns meses depois devido aos ferimentos.

Vittorio Emanuele acabou absolvido do assassinato num tribunal francês em 1991 e foi condenado a pena suspensa por posse ilegal de um arma.

A família de Hamer contestava há muito tempo o veredicto e o caso ganhou atenção renovada quando se tornou a peça central de um recente documentário da Netflix, “The King Who Never Was”.

O príncipe enfrentou mais problemas judiciais quando foi preso em 2006 por ordem de um magistrado na cidade de Potenza, no sul da Itália, sob a acusação de extorsão e envolvimento em prostituição. Acabou absolvido.

Enquanto estava detido em Potenza, Vittorio Emanuele foi gravado a gabar-se a um colega de cela de ter enganado os magistrados franceses no caso Hamer. Vittorio Emanuele contestou a autenticidade do vídeo.

Vittorio Emanuele casou-se com a campeã suíça de esqui aquático Marina Doria em 1971, e viveram vários anos numa villa luxuosa na margem do Lago Genebra. Durante a sua juventude, o príncipe trabalhou como vendedor da empresa italiana de helicópteros Agusta e manteve uma amizade com o Xá do Irão. Aliás, o seu casamento foi realizado em Teerão.

Embora vivesse no exílio, Vittorio Emanuele foi nomeado em 1981 como um dos mais de 900 membros da ilegal loja maçónica secreta Propaganda 2 (P2), um grupo que esteve no centro de muitos dos escândalos italianos do final do século XX.

O seu avô, o rei Victor Emanuel III, abdicou em favor do seu filho Umberto pouco antes do referendo de 1946, numa tentativa final e fútil de salvar a monarquia. Mas os pais de Vittorio Emanuele , Umberto II e Maria José, governaram a Itália durante pouco mais de um mês antes de a família partir para o seu longo exílio.

Vittorio Emanuele deixa um filho, Emanuele Filiberto, que disse em 2023 que renunciaria à sua reivindicação ao trono italiano em favor da sua filha, Vittoria, quando sentisse que ela estava pronta para o desafio.

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