Tempo
|
A+ / A-

ONU vai apoiar escolas clandestinas para raparigas no Afeganistão

15 ago, 2023 - 21:20 • Lusa

Há dois anos os talibãs voltaram a recuperar o poder.

A+ / A-

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai apoiar escolas clandestinas para raparigas no Afeganistão e financiar educação ‘online’ para todas as meninas forçadas a abandonar o sistema educativo depois da primária, foi esta terça-feira revelado.

Segundo a agência de notícias Efe, o anúncio foi feito pelo enviado da ONU para a Educação Global, o britânico Gordon Brown, numa conferência de imprensa virtual que assinalou o segundo aniversário da tomada do poder pelos talibãs no Afeganistão e que teve como tema central os esforços das Nações Unidas para inverter a exclusão das raparigas das escolas secundárias e universidades.

“Financiaremos e patrocinaremos o ‘e-learning’ e apoiaremos as escolas clandestinas, bem como a educação das raparigas forçadas a abandonar o Afeganistão”, afirmou Gordon Brown, citado pela Efe.

No entanto, o britânico não adiantou pormenores sobre as escolas “por receio que sejam encerradas”, mas especificou que “várias organizações estão a apoiar as escolas clandestinas”.

Brown anunciou também que levou a questão da exclusão das mulheres das escolas no Afeganistão ao Tribunal Penal Internacional e defendeu perante o procurador Karim Khan que proibir a educação feminina equivale a um “apartheid de género” e pode ser considerada “um crime contra a humanidade”.

Segundo adianta a Efe, Brown, que ainda não recebeu uma resposta de Khan, argumentou que a proibição viola pelo menos três convenções internacionais da ONU: a Convenção sobre os Direitos da Criança, a Convenção sobre os Direitos da Mulher e a Convenção sobre os Direitos Económicos e Sociais, uma vez que a educação é “um direito fundamental”.

Brown salientou também que a comunidade internacional “pode e deve fazer mais” para forçar os talibãs a reverter a decisão e sugeriu, por exemplo, que os EUA e o Reino Unido sigam o exemplo da União Europeia na aplicação de sanções concretas ao Afeganistão.

Outra sugestão do britânico foi que os países muçulmanos enviem uma delegação a Kandahar – o reduto do regime talibã – para explicar que o Islão não apoia de forma alguma a privação da educação das raparigas.

O diplomata disse ainda que sabe que existem “fissuras no regime” afegão devido às medidas cada vez mais rigorosas contra as mulheres, como a exclusão de locais públicos, incluindo cemitérios, e que o mundo deveria explorá-las para chamar à razão o núcleo duro do regime entrincheirado em Kandahar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+