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TDM Macau

Canal de Macau em português retira reportagem sobre Tiananmen do telejornal

15 jun, 2021 - 14:00 • João Carlos Malta

Peça entrou no noticiário da televisão, mas quando a edição foi disponibilizada online foi retirada. Administração do canal justifica e diz que "a inclusão da reportagem nada acrescentaria em termos de informação ao telespectador." Reportagem do dissidente Ai Weiwei também saiu da versão disponiblizada na Internet.

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Uma reportagem sobre a não realização da vigília evocativa do massacre de Tiananmen, em Macau, foi retirada do alinhamento do telejornal pela direção da TDM (Televisão de Macau), no canal em português.

A reportagem incidia sobre a reação da Associação Novo Macau, movimento pró-democracia, que lamentava a impossibilidade de, pelo segundo ano, se realizar o evento que recorda os estudantes chineses que perderam a vida na praça de Tiananmen em 1989.

Segundo a administração da TDM, “a inclusão da reportagem nada acrescentaria em termos de informação ao telespectador”.

Há duas semanas, pela segunda vez em 30 anos, a manifestação que assinala a data não se realizou naquele território que até 1999 foi governado por Portugal. A primeira vez foi em 2020, tendo ai as autoridades justificado a proibição com as regras sanitárias de combate à pandemia.

A referida reportagem passou no jornal às 20h30, do dia 4 de junho, mas já não constou do alinhamento da repetição emitida às 00h30. Na versão que é disponibilizada online também foi retirada.

No mesmo dia, e como é habitual, a TDM em português passou peças cuja autoria é da RTP. Uma delas era sobre a exposição, em Lisboa, do artista dissidente chinês Ai Weiwei. O trabalho sobre o opositor de Pequim, tal como a reportagem sobre Tiananmen passou uma vez, mas foi retirado de seguida.

No final de março, o anúncio das novas regras patrióticas a aplicar pelos jornalistas portugueses da TDM, meio de comunicação que engloba serviços de televisão e rádio, levou à demissão de vários jornalistas.

Na altura, foi transmitido à redação, oralmente, para promover “o patriotismo e o amor à pátria”, assim como foi imposto a necessidade de não divulgar informação ou opiniões contrárias às políticas do Governo Central.

Administração diz que editor não viu

A administração do canal de televisão de Macau, em comunicado, e sobre o incidente da retirada da pela sobre Tiananmen esclarece que foi “retirada uma reportagem da versão final disponível no website”.

Argumenta que a mesma “não tinha sido previamente visionada pelo editor, procedimento normal em qualquer órgão de comunicação social, sendo que a jornalista também não tinha seguido as instruções que lhe tinham sido dadas pelo editor do Telejornal”.

A Renascença apurou junto de fonte que conhece bem as regras de funcionamento da redação portuguesa que as peças, muitas vezes, não são revistas pelo editor antes de irem para o ar.

A razão é a de que, não raras vezes, as reportagens são terminadas em cima do Telejornal e no caso da TDM, o editor é, muitas vezes, também o apresentador. A mesma fonte garante que é frequente o jornalista ter autonomia de “colocar a peça em linha”.

Finalmente, o comunicado dos responsáveis do canal reitera que a “inclusão da reportagem nada acrescentaria em termos de informação ao telespectador”.

Comentadores não podem comentar casos judiciais em curso

Mas este não foi o único caso, em que um conteúdo relacionado com Tiananmen foi alvo da administração da TDM. No dia 28 de maio, durante a gravação do programa de comentário semanal Contraponto, “os comentadores opinaram sobre um processo que decorria no âmbito do Tribunal de Última Instância e, do qual, não havia ainda uma decisão final”.

O assunto em causa era a decisão sobre a realização da vigília evocativa do massacre de Tiananmen em Macau, território em que até há bem pouco tempo, juntamente com Hong Kong, era um dos únicos dois locais na China em que a data era alvo de evocação.

A TDM justifica a decisão por achar “que não é conveniente fazer quaisquer comentários ou emitir opiniões sobre casos cujo processo judicial ainda se encontre em curso”. E por isso, “foi decidido remover o comentário sobre a possível decisão do Tribunal de Última Instância do programa Contraponto que foi emitido nesse fim-de-semana”.

No entanto, o mesmo comunicado diz que no programa seguinte, emitido na Rádio Macau no dia 5 de junho e no Canal Macau no dia 6 de junho, “os comentadores presentes foram convidados a emitir a sua opinião sobre o acórdão do Tribunal de Última Instância que tinha sido tornado público no dia 3 de Junho”.

Este procedimento nunca tinha sido adoptado no passado, segundo apurou a Renascença.

Nos últimos meses, tem sido também frequente, segundo a Renascença sabe, os jornalistas do serviço em português da TDM serem alvo de processos disciplinares. Este facto está a ser interpretado como uma forma de coação e condicionamento da redação.

Em Macau, há duas semanas, o Tribunal de Última Instância (TUI) rejeitou o recurso apresentado por Au Kam San, deputado ligado aos democratas, que discordava da decisão da polícia ao negar a vigília pelas vítimas de Tiananmen.

O TUI considerou que a vigília de Macau dá palco a um “planeado e deliberado ataque e insulto” à República Popular da China e que isso é “claramente inadmissível e de necessário repúdio”.

Segundo o coletivo formado por José Dias Azedo, Sam Hou Fai e Song Man Lei a vigília de Macau tem o “claro propósito de incitar, incendiar e instigar” à “oposição” e ao “derrube” das autoridades do Governo Central.

Esta é, dizem os juízes, uma “conduta que ultrapassa o aceitável”.

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