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Habitação

Mudar de casa? Mais de metade desiste devido aos preços elevados

08 fev, 2024 - 00:00 • Sandra Afonso

Maioria desiste de comprar ou arrendar casa devido ao preço elevado, enquanto outros decidem vender por necessidade de dinheiro. Só na Área Metropolitana de Lisboa, os preços subiram 30%. São conclusões do Observatório do Imobiliário da Century 21, no último estudo da habitação em Portugal.

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Há seis anos era a dificuldade em encontrar a casa que se pretendia que afastava os portugueses do processo de procura, para comprar ou arrendar. Hoje, a maioria, 55%, admite que desiste devido ao preço. Esta tendência mantém-se em Lisboa (51,2%), indica o Observatório do Imobiliário da Century 21, o mais recente estudo da habitação em Portugal.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, diz à Renascença que o fator preço está "claramente em evidência".

Outra novidade deste estudo da habitação é o motivo para a mudança. Os proprietários decidem vender, sobretudo, porque precisam de dinheiro disponível e só depois para trocar por uma casa melhor. Antes, ter uma casa melhor era a prioridade, seguida do crescimento da família.

As cedências de quem procura casa

A localização ambicionada é garantida, mas pelo caminho ficam outras preferências, que já não cabem no orçamento. Em média, o preço da prestação ou da renda fica 4% abaixo do ideal.

A área é um dos sacrifícios mais recorrentes, o desejado T3 acaba por ser substituído por um T2, a moradia passa a apartamento. A escolha final acaba também por ter menos comodidades e a zona envolvente menos valências do que era desejado, segundo o Observatório do Imobiliário.

Há também mais pessoas a aceitar casas em segunda mão e mesmo a precisarem de obras. Mais de 92% preferem viver em casa própria, mas apenas 65% conseguem, quase um terço é arrendatário (32%)

Continua também a crescer a preferência por moradias isoladas (28% para 37%) e pátios e jardins, uma tendência impulsionada com a pandemia. Uma maior fatia (25%) mostra abertura para mudar de cidade.

Oferta disponível 7% mais cara

Entre as casas disponíveis, predominam "os apartamentos usados sem necessidade de obras, T3, com um WC, de 91 a 120 m2, com terraço, varanda e garagem". No entanto, nos centros das cidades esta oferta já foi toda absorvida, restam apenas as opções nas zonas periféricas e estas, "mesmo com essa localização menos central, tem elevadas expetativas de preço, pretendendo valores 7% acima das que foram escoadas".

Já no mercado de arrendamento, a oferta disponível nas periferias chega a ser 16% mais barata.

Para Ricardo Sousa, "a oferta é o grande desafio. Nós estamos há muitos anos sem construir e temos um planeamento urbano das nossas cidades e das áreas metropolitanas completamente desajustado da sociedade atua e das expectativas das pessoas". Ou seja, "a oferta disponível e a sua localização não está ajustada ao que as pessoas precisam e onde precisam", conclui.

De acordo com este trabalho, a maioria procura "um apartamento usado sem necessidade de obras, na cidade onde vive e junto ao centro".

São sobretudo as mulheres quem procuram casa

Quanto ao perfil de quem procura casa, a maioria são mulheres (63%) e os 30 anos é a altura preferida para dar este passo (32%). Mais de metade (59%) são famílias, de duas ou três pessoas, e 73% querem ficar na mesma cidade. De uma forma geral, os apartamentos são os mais procurados no país (56%) e quase todos os inquiridos (95%) elegem como uma das maiores prioridades a segurança da zona.

Metade procura casa entre os 100 mil euros e os 200 mil euros. Nas rendas, 55% está disponível para pagar até 500 euros.

Três prioridades para a habitação

Em véspera de eleições legislativas, o CEO da Imobiliária Century 21 aponta três prioridades para o setor da habitação, a começar pela mobilidade.

"É urgente ampliar e modernizar a ferrovia, as linhas urbanas da CP, a 45 e 70 quilómetros da cidade", diz Ricardo Sousa. Defende ainda que seja dada prioridade à expansão do metro de Loures e, em particular, à Linha Violeta.

A segunda prioridade assinalada é "implementar e melhorar o simplex do licenciamento urbanístico, garantindo segurança jurídica, que está a ser agora posta em causa, agilidade nos processos de construção e que proteja o consumidor final, quem compra a casa".

Por fim, defende que seja incentivada a "industrialização na construção", de forma a garantir "sustentabilidade ambiental, construir de forma mais rápida e mais segurança e inclusividade às condições de trabalho na construção". Ricardo Sousa acredita que trará mais mão-de-obra à construção e vai permitir aumentar a oferta na habitação.

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