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Banco de Portugal

"Abandono". Mário Centeno cita Mourão-Ferreira em conferência sobre futuro da banca

16 nov, 2023 - 11:07 • João Cunha Com Lusa

O governador do Banco de Portugal diz que o país vive um momento de reflexão, citando versos de David Mourão-Ferreira sobre o risco de ser livre-pensador e aconselhou os bancos a usarem os lucros "merecidos" para prepararem o futuro.

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"O país é incitado a refletir, a pensar", sobre o atual momento,"não é apenas o governador do Banco de Portugal que é convidado a refletir".

A observação é de Mário Centeno e foi feita esta quinta-feira, no arranque da intervenção de abertura na conferência Banca do Futuro, promovida pelo Jornal de Negócios.

Perante uma plateia onde se encontravam muitos responsáveis de bancos nacionais, Mário Centeno decidiu citar versos de um poema de David Mourão-Ferreira: "Por teu livre pensamento/foram-te longe encerrar. Tão longe que o meu lamento/não te consegue alcançar!".

Centeno não explicou a escolha destes versos do poema intitulado "Abandono". Nem fez uma ligação dos versos com a polémica política em que esteve envolvido, por ter sido sugerido por António Costa para lhe suceder como primeiro-ministro. Fê-lo, sim, com o setor financeiro.

"Foi com livre pensameno que, na verdade, atingimos a estabilidade financeira de que hoje a banca desfruta", acrescentou.

Centeno considerou que o recente "processo de transformação da banca portuguesa foi extraordinário" com redução de ativo, redução de crédiro malparado, reforço dos capitais e melhoria da rentabilidade.

Trata-se de resultados merecidos, na opinião do governador, que alertou, contudo, que são "resultados cíclicos" que têm de ser "usados para preparar o futuro".

Centeno elogiou ainda a economia portuguesa, sobretudo a melhoria das finanças públicas e o mercado de trabalho, sublinhando que os próximos anos serão desafiantes também devido ao contexto externo.

Quanto à subida das taxas de juro, o goernador disse que "desejavelmente não vão voltar a zero". Centeno espera, ainda assim, que desçam para um intervalo entre 2% e 2,5%, compatível com uma taxa de inflação de 2% a médio prazo, lembrando que a alta generalizada dos preços tornou necessário subir as taxas diretoras do Banco Central Europeu "num período muito curto e num valor muito grande".

Para Mário Centeno, "foi essa a grande dificuldade com que nos confrontámos" e "uma mudança desta dimensão requer tempo para ajustar a economia".

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