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Execução do PRR em risco devido à falta de mão-de-obra na construção

24 jan, 2022 - 07:56 • Sofia Freitas Moreira

"O Governo que sair das eleições vai ter que resolver o problema da mão-de-obra connosco." Se nada for feito podem-se "perder os dinheiros comunitários", alerta responsável da construção civil.

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O presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) alerta para a falta de cerca de 80 mil trabalhadores no setor da construção, para o aumento dos preços das matérias-primas, questões que vão impactar os concursos.

Segundo Manuel Rei Campos, em declarações ao Diário de Notícias/Dinheiro Vivo, "o Governo que sair das eleições, seja ele qual for, vai ter que resolver o problema da mão-de-obra connosco", sob pena de, "se nada for feito, o PRR ficar em causa" e se "perder os dinheiros comunitários".

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é uma oportunidade para as construtoras nacionais, mas a sua execução até 2026 depende da resolução dos problemas indicados pelo presidente da AICCOPN. Estima-se a falta de 70 a 80 mil trabalhadores e o país não pode contar com o regresso daqueles que emigraram no tempo da troika.

Reis Campos questiona-se como é que a construção tem "necessidade de 70 ou 80 mil trabalhadores e os centros de emprego têm 312 mil trabalhadores que querem trabalhar". "Só do nosso setor estão lá 29 155, ou seja, com esses trabalhadores só nos faltavam praticamente 40 mil", sublinha. E aponta que "compete ao governo verificar o que se passa com as pessoas que querem trabalhar e que estão nos centros de emprego".

A AICCOPN estima ainda que, no ano passado, o cisto da construção deve ter subido à volta de 18%. Em setembro, a variação anual na bolsa de futuros de Londres do preço do aço em varão para betão era de 54%, do alumínio 61% e do cobre 47%. Já entre 31 de dezembro de 2021 e 12 de janeiro, o alumínio já aumentou 7%.

Entre "o lançamento do concurso, que demora o seu tempo, e a adjudicação, a empresa pode já não ter possibilidade de fazer a obra" pelo preço estabelecido. "Este é um problema com que o país se vai defrontar, e não é só na construção, que nós já vínhamos a tratar com o ministro da Economia", aponta ainda Manuel Reis Campos.

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