Depois de sempre se referir à invasão da Ucrânia como uma "operação militar especial", a linguagem da Rússia agora escala oficialmente para "estado de guerra".

O porta-voz do Kremlin explica que o conflito "começou como uma operação militar especial", mas, "quando o Ocidente tornou-se num participante ao lado da Ucrânia, para nós virou uma guerra".

Dmitry Peskov marca, assim, uma mudança da narrativa da Rússia, que, desde a primeira declaração de Putin, no dia em que começou a guerra a 24 de fevereiro de 2022, recusava tratar-se de uma ofensiva para anexar a Ucrânia, mas apenas uma "operação" para "desnazificar" o regime de Zelensky.

Noutras ocasiões, o Kremlin descrevia a sua ação no conflito apenas como uma iniciativa de legítima defesa.

A mudança da narrativa da Rússia coincide com uma discussão aberta dentro da União Europeia sobre se os países aliados da Ucrânia devem aumentar e manter o seu apoio, recuar ou, até, colocar tropas no local.

No final de fevereiro, no seu discurso de Estado da Nação, Vladimir Putin acusou o Ocidente de "semear o conflito" pelo mundo e que a ideia da Rússia querer atacar a Europa "é um disparate".

Num discurso do Estado da nação russa a querer "apontar para o futuro", o Presidente russo acusou o bloco Ocidental de "trazer discórdia" e tentar "uma corrida às armas" para cansar e exaustar o país.