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De Vila do Conde a Hollywood. Festival Curtas “cheio de surpresas”

15 jul, 2021 - 08:00 • João Malheiro

Festival de cinema decorre entre 16 e 25 de julho. A realizadora escocesa Lynne Ramsay é a artista em destaque este ano.

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A 29.ª edição do festival Curtas Vila do Conde arranca já esta sexta-feira e estende-se até dia 25 de julho. É uma semana de muito Cinema a Norte, “em que é difícil escolher os destaques”, conta o diretor do festival, Mário Micaelo, à Renascença.

“É um programa cheio de surpresas, em cada dia há coisas a acontecer”, reforça.

E não são poucas as coisas que vão acontecer nesta semana. O 29.º Curtas Vila do Conde conta com seis competições: Internacional, Nacional, Experimental, Vídeos Musicais, My Generation (um “minifestival” organizado por alunos do secundário) e o Curtinhas (com filmes para maiores de 3, de 6 e de 10 anos, avaliados pelos mais novos).

Há ainda mais dez rubricas no programa do festival, que tanto recordam o passado do cinema, como lhe apontam o seu futuro.

Uma das propostas do Curtas deste ano é mesmo de revisitar Hollywood, ou melhor, a forma “como Hollywood olha para ela própria”, explica Mário Micaelo. A secção “Cinema Revisitado” parte dos 20 anos do clássico “Mulholland Drive”, de David Lynch, “uma síntese do cinema, uma ponte entre o século XX e o século XXI”, como diz o diretor do Curtas, para refletir sobre o bom e o mau do sonho hollywoodesco.

Nesta secção poderão ser vistos, em sala, clássicos como “Sunset Boulevard”, “Singin’ in the Rain” e “The Bad and the Beautiful”.

Na rubrica “Da Curta à Longa”, destaque para a estreia nacional de “Diários de Otsoga”, filme resultante de um trabalho improvisado de confinamento, rodado em agosto de 2020 numa propriedade em Sintra, conta com as participações de Crista Alfaiate, Carloto Cotta e João Nunes Monteiro. Esta secção vai contar ainda com a exibição das obras “Lutar, Lutar, Lutar” e “Mandibules”.

Lynne Ramsay estará “InFocus”

Todos os anos, o Curtas Vila do Conde seleciona um artista para destacar e exibir uma grande parte, se não mesmo a totalidade, da sua obra. Este ano, a realizadora Lynne Ramsay foi a escolhida.

Dois dos grandes filmes da escocesa, “We Need to Talk About Kevin” e “You Were Never Really Here”, poderão ser vistos em sala pelo público do festival. Os trabalhos “Ratcatcher” e “Morvern Callar” também estarão em exibição assim como muitas curtas-metragens da realizadora.

“A Ramsey tem um cinema que começa numa espécie de realismo britânico, mas depois ganha uma linguagem própria. É um cinema cheio de força e que joga com o espectador, com uma profundidade que é dificilmente igualável”, realça o diretor do Curtas Vila do Conde, à Renascença.

A artista “muito provavelmente” não marcará presença física no festival, devido às restrições de viagens entre Reino Unido e Portugal, atualmente em vigor. No entanto, de uma forma ou outra, Lynne Ramsay “apresentará todos os filmes” da secção InFocus, afirma Mário Micaelo.

Uma “ponte com as artes plásticas e a música”

É também habitual a realização de uma exposição paralela ao festival, na Solar - Galeria de Arte Cinemática. Este ano estará em exibição o trabalho “Be Your Selfie”, de Diogo Costa Amarante.

Trata-se de uma instalação composta por 13 peças. São “vídeos trabalhos pelo próprio, quer em projeção, quer em monitores”, conta o diretor do Curtas, que servem de “reflexões sobre a criação da imagem e da gratuitidade de criarmos imagens a todo o momento”.

A exposição é uma espécie de “jogo”, com peças “plenas de humor e paisagens muitas vezes insólitas”, antecipa Mário Micaelo. “A partir de vídeos, o Diogo Costa Amarante criou algumas imagens trabalhadas e manipuladas para oferecer um espetáculo inusitado, surreal e reflexivo”, acrescenta.

Para além de uma visita guiada à exposição, o realizador português terá “carta branca” para fazer uma mini programação de filmes que o influenciaram, aponta o diretor do Curtas, à Renascença.

A secção Stereo deste ano contará com uma mistura de imagens com música, na atuação ao vivo do álbum “Drawing Circles”, do sexteto Chão Maior, e a exibição do filme mudo “Shoes”, de 1916, musicado ao vivo pela harpista espanhola Angélica Salvi.

O Curtas Vila do Conde volta, mais uma vez, a estabelecer uma “ponte com as artes plásticas e a música”, afirma Mário Micaelo.

Medidas anti-covid e uma plataforma digital

A edição de 2020 do festival de cinema de Vila do Conde teve de enfrentar, pela primeira vez, uma situação pandémica. A 29.ª edição terá de fazer o mesmo e, por isso, as medidas de segurança do ano passado voltam a aplicar-se, em 2021.

Haverá, à entrada, um portal de medição de temperatura e de desinfeção, as salas de exibição terão lotação reduzida e distanciamento entre lugares, o uso da máscara durante as sessões será obrigatório e vão existir corredores de circulação alternada.

Apesar de as regras “poderem sempre mudar”, não está prevista a necessidade de apresentar certificado digital ou teste negativo à entrada, para poder comprar bilhete ou assistir a uma sessão do Curtas.

Existe também uma opção para quem prefere ficar em casa. Pelo segundo ano consecutivo, haverá uma plataforma digital que permitirá assistir a “mais de 150 filmes da 29.ª edição do Curtas Vila do Conde”, de acordo com o festival.

As condições sanitárias do país ainda não são as ideais para a realização de um evento deste género, mas Mário Micaelo espera que para o ano “tudo esteja mudado para melhor e seja mais fácil fazer um festival sem contrariedades”.

2022 será mesmo um ano importante para o festival, pois é nessa altura que se assinala a 30.ª edição do Curtas Vila do Conde.

Sem revelar muito, o diretor do festival conta à Renascença que haverá “exposições, produção de filmes e programação especial” associados à efemérides.

Mas antes disso, ainda há a 29.ª edição do Curtas Vila do Conde, que volta a trazer do melhor que se faz no Cinema, ao Norte do país, já esta sexta-feira.

Todas as informações sobre o festival podem ser consultadas no site oficial.

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