Guerra Hamas-Israel

Início da trégua de quatro dias em Gaza: primeiros camiões de ajuda humanitária começam a chegar

24 nov, 2023 - 10:00 • Beatriz Pereira , André Rodrigues com Redação

"O Hamas tem mais a ganhar do que a perder com este acordo, que tem como contrapartida a libertação de o triplo - ou até mais - de palestinianos do que reféns israelitas", diz à Renascença o analista Germano Almeida. A troca de reféns vai começar nas próximas horas, no momento em que se inicia uma pausa humanitária. No entanto, Israel alerta: "A guerra ainda não acabou."

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Os primeiros camiões de ajuda humanitária começaram, esta sexta-feira, a entrar na Faixa de Gaza através da fronteira de Rafah, no Egito, após a entrada em vigor de trégua que vai permitir a libertação de 50 reféns que as milícias islamitas mantêm dentro de Gaza, em troca da libertação de 150 prisioneiros palestinianos.

O cessar-fogo de quatro dias entre Israel e o Hamas inclui a entrada de 200 camiões de ajuda humanitária. Segundo a Al-Jazeera, um porta-voz da administração da passagem de Rafah diz que esta sexta-feira já são esperados 230 camiões com ajuda alimentar e de medicamentos.

Num comunicado divulgado antes do início da trégua, foi anunciado também a entrada de 130 mil litros de combustível e quatro camiões de gás natural provenientes do Egito diariamente.

Imagens de camiões a entrar no posto fronteiriço de Rafah começam a ser divulgadas.

A entrada de mais ajuda humanitária através de camiões foi um dos pontos do acordo da trégua. Segundo a Reuters, dois dos camiões, que representam organizações egípcias, apresentavam faixas com as frases “Juntos pela Humanidade” e “Pelos nossos irmãos em Gaza".

Nas próximas horas, 39 prisioneiros palestinos detidos em prisões israelitas e 13 cativos em Gaza deverão ser libertados. Segundo a BBC, há uma possível prorrogação: por cada dez reféns a mais do previsto forem libertados, a pausa nos combates é estendida por um dia.

O Hamas confirmou "a cessação total das atividades militares" durante quatro dias.

Como se processará a libertação dos reféns?

Em declarações à Renascença, Rafi Ghattas, um jornalista palestiniano radicado em Jerusalém, explica como vai funcionar esta operação de troca de prisioneiros.

"Quando os prisioneiros palestinianos forem libertados, eles regressarão às suas casas. Houve algumas vozes israelitas, dentro do Governo, que defendiam que todos os prisioneiros libertados deviam ser enviados para Gaza. Mas isso acabou por ser recusado no acordo. Por isso vão mandá-los para as suas zonas de origem", diz.

Ghattas esclarece que se os reféns "forem de Jerusalém Oriental, irão para Jerusalém Oriental. Os da Cisjordânia voltam para a Cisjordânia e os de Gaza irão para Gaza. Quanto aos reféns israelitas, sairão da Faixa de Gaza para o Egito pela fronteira de Rafah e de lá vão regressar a Israel com o apoio da Cruz Vermelha".

Segundo o jornal israelita Haaretz, os reféns adultos serão ainda submetidos a um interrogatório de segurança.

Enquanto isso, no terreno, as Nações Unidas dizem-se preocupadas com a proporcionalidade do ataque de Israel ao Hamas, uma vez que desde o início da guerra já morreram pelo menos 104 funcionários de agências humanitárias.

À Renascença, João Antunes, diretor da secção portuguesa da Médicos Sem Fronteiras, conta que uma operação deste género pode ser complexa.

"No sábado passado, tentámos fazer uma evacuação de todos as equipas que ainda estavam a trabalhar no norte de Gaza, na sequência do que aconteceu no hospital de Al-Shifa. Cerca de 130 a 140 trabalhadores da Médicos Sem Fronteiras e os seus familiares foram retirados durante essa evacuação", diz.

João Antunes conta também que "parte deste comboio humanitário foi alvo de bombardeamentos e temos a lamentar a morte de dois familiares de colegas da Médicos Sem Fronteiras".

Como olham os especialistas para a pausa humanitária?

Germano Almeida, especialista em política internacional, olha para o cessar-fogo algo positivo, embora com mais vantagens para o Hamas do que para Israel.

Em declarações à Renascença, Germano Almeida lembra que positivo que 50 reféns sejam libertados, mas isso nem sequer corresponde a um quarto do total dos reféns".

"O Hamas tem mais a ganhar do que a perder com este acordo, que tem como contrapartida a libertação de o triplo - ou até mais - de palestinianos do que reféns israelitas.

Por outro lado, pode também significar que o Hamas precisava de alguns dias de cessar-fogo. Por isso mesmo, vários elementos da extrema-direita do Governo de Israel votaram contra, porque há um receio de que estes dias de cessar-fogo permitam que o Hamas possa reorganizar-se para voltar a atacar Israel", explica.

"A guerra ainda não acabou", alerta Israel

Numa mensagem aos civis palestinianos em Gaza, no dia em que se deu início ao cessar-fogo de quatro dias, Avichay Adraee, porta-voz militar israelita, alerta que "a guerra ainda não acabou”.

Na rede social X, as Forças de Defesa de Israel partilharam o vídeo em que Adraee apela aos palestinianos para "permanecer na zona humanitária do sul de Gaza", uma vez "a movimentação de moradores do sul da Faixa de Gaza para o norte não é permitida. É perigosa"

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