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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Da PAC à ajuda à Ucrânia

05 fev, 2024 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Os agricultores franceses, grandes beneficiários da PAC, lideram a revolta agrícola europeia. Por outro lado, a UE chegou a um acordo unânime para apoiar a Ucrânia.

A política agrícola comum (PAC) é a mais antiga política da União Europeia (UE). Vem do tempo em que a Comunidade Económica Europeia (CEE) era conhecida como Mercado Comum. A PAC foi decisiva para a França se unir à industrialmente mais poderosa Alemanha na integração europeia.

Hoje um terço do orçamento da UE vai para a PAC; no passado foi uma fatia ainda maior. Os principais beneficiários da PAC eram os agricultores franceses. Hoje, porém, esses agricultores de certo modo lideram os protestos, que alastraram a muitos outros países europeus, incluindo Portugal. No caso português parece que as principais queixas dos agricultores têm a ver com atrasos e cortes nas ajudas, matéria da responsabilidade do Governo e da Administração Pública nacional, não da PAC.

A onda europeia de manifestações agrícolas tende a exigir uma reforma da PAC. Esperemos que o protecionismo agrícola não atinja níveis excessivos, mas que se compensem os agricultores pelo seu papel na alimentação dos europeus e na defesa do ambiente.

Num outro plano completamente diferente, os 27 países da UE lograram um acordo unânime para um novo pacote de financiamento à Ucrânia, de 50 mil milhões de euros. Foi vencida a oposição de V. Orban, primeiro ministro da Hungria, que acabou por assinar a decisão – ao que parece sem concessões significativas dos seus parceiros.

Nada indica, porém, que este político húngaro, próximo de Putin, abandone a sua prática de chantagear os outros Estados membros e a Comissão Europeia. De tão esticada, a corda poderá romper quando menos se espera.

O Presidente dos EUA, Joe Biden, felicitou a UE pela concessão desta ajuda à Ucrânia, talvez para tentar desbloquear a ajuda americana, retida por imposição dos políticos republicanos. O que deve alertar os países da UE para a possibilidade de os EUA não manterem no futuro o apoio financeiro e militar à Ucrânia. Nessa dramática eventualidade – nada hipotética se Trump regressar à Casa Branca – terão os países europeus que fazer um esforço suplementar, de modo a que não seja oferecida uma vitória a Putin.

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