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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Dinheiro fácil

13 ago, 2021 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O dinheiro que vem de Bruxelas a fundo perdido envolve um risco: o de facilitar investimentos que apenas se realizam para a aproveitar dinheiro disponível e tão barato, em vez de se investir em bons projetos económicos. Este problema colocou-se para os tradicionais fundos de Bruxelas. Mas com a “bazuca” tornou-se agudo.

O dinheiro fácil, desde logo o dinheiro que vem a fundo perdido, não exigindo reembolso nem juros, envolve um risco óbvio: o de facilitar investimentos que apenas se realizam para aproveitar dinheiro disponível e tão barato, em vez de se investir em bons projetos económicos e sociais. Este problema colocou-se para os tradicionais fundos de Bruxelas.

Quando esses fundos surgiram, em 1978, o então primeiro-ministro Cavaco Silva logrou obter para Portugal quantias superiores às esperadas pela maioria das pessoas que acompanham estes assuntos.

Mas as carências eram então de tal modo evidentes que nos primeiros anos não houve desperdício – na altura, por exemplo, Portugal tinha uma minúscula rede de autoestradas e faltava saneamento básico em grande parte do país.

Uma vez, porem, satisfeitas essas manifestas e indiscutíveis necessidades, passou a haver boa parte dos fundos europeus aplicada de forma económica e socialmente mais do que discutível. Basta pensar no exagero de autoestradas que se construíram no país, em algumas das quais passa um carro de vez em quando.

Por outro lado, se o dinheiro de Bruxelas for encaminhado para empresas inviáveis, retém nessas unidades pessoas e equipamentos que melhor seriam aplicados em empresas mais produtivas, prejudicando a economia nacional. Recorde-se o caso da Dielmar, empresa que declarou falência e que o ministro da Economia, Siza Vieira, declarou que não teria sentido tentar salvá-la com mais dinheiro público.

O ministro não explicou, porém, o facto de a Dielmar ter recebido apoios públicos ao longo de oito anos, mas o Estado se ter mantido passivo face às falhas de gestão da empresa apoiada. Por outras palavras, pelo menos por omissão o Estado é também responsável pelos problemas da Dielmar.

A própria dimensão, jamais vista, da “bazuca” europeia complica uma correta aplicação dos respetivos recursos.

Faz-se sentir a velha tentação, já presente nos tradicionais fundos europeus, de canalizar esse “dinheiro fácil” para projetos menos válidos e rapidamente, havendo prazos curtos de Bruxelas para os apresentar, o que coloca pressão nos organismos do Estado.

Como poderá o Governo garantir que tal desperdício não acontecerá? A falta de transparência na gestão dos dinheiros da “bazuca” permite esperar o pior. Infelizmente, este Governo cultiva a falta de clareza.

Daí que fosse bem vinda uma clarificação de prioridades e critérios sobre a distribuição desses dinheiros. Mas percebe-se que aos políticos responsáveis por essa tarefa convenha manter inacessível qualquer explicitação pública desses critérios e prioridades.

Assim, evitam os protestos que, certamente, surgiriam da parte de quem não se sentisse contemplado na atribuição de fundos.

Isto, claro, partindo do princípio de que existem mesmo essas prioridades e esses critérios que aparentemente permanecem na sombra.

Comentários
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  • ze
    13 ago, 2021 aldeia 15:22
    Mais uns milhões para os "amigos"!.........
  • Ivo Pestana
    13 ago, 2021 Madeira 12:36
    Disse uma vez alguém duma Comissão Europeia, que quando existem subsídios, existem sempre desvios. Na Madeira dizemos, que quem trabalha com o mel, coloca o dedo para prová-lo. Nada será novo Sr. Francisco.