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Calor tem empurrado portugueses para as praias. Mas por que é que não há vigilância?

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Calor tem empurrado portugueses para as praias. Mas porque é que não há vigilância?

12 abr, 2023 • Hugo Monteiro


No fim de semana de Páscoa, as praias portuguesas foram um ponto de encontro comum para fazer face ao calor, cenário que se poderá repetir com as subidas de temperatura previstas para o próximo fim de semana. No entanto, os areais deverão continuar sem nadadores salvadores, devido à falta de financiamento e de recursos humanos.

Depois de uma Páscoa com calor, as temperaturas têm estado relativamente amenas. No entanto, deverão voltar a subir no fim de semana.

Ainda assim, as praias vão continuar sem reforço de nadadores salvadores.

Porquê?

Por questões económicas. A denúncia é da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS). A assistência a banhistas é uma competência que foi transferida pelo Estado para as autarquias desde 2018. Contudo, a correspondente forma de financiamento não terá sido transferida para as câmaras municipais.

Por outras palavras, as autarquias não estão disponíveis, ou não têm meios, para assumir essa responsabilidade. Conclusão: passam a responsabilidade da assistência a banhistas, na maior parte do país, e aos concessionários, que também não têm capacidade financeira para garantir a presença de nadadores salvadores em períodos mais alargados, ou para reforçar a presença dos mesmos em fins de semana com maior procura das praias pelos banhistas.

Mas não há praias com assistência o ano inteiro?

Há, mas são apenas três. Neste momento, somente as praias de Matosinhos, Nazaré e Carcavelos têm nadadores salvadores durante todo o ano. A presença de um nadador-salvador só é obrigatória, nas praias com vigilância, durante a época balnear.

À Renascença, o presidente da Federação de Nadadores Salvadores defende que os areais portugueses deviam ter assistência o ano inteiro, porque são frequentadas ao longo de todo esse período. Alexandre Tadeia conclui que é muito redutor estar a dizer que apenas é necessária assistência nas praias portuguesas durante a época balnear.

Mas isso acontece apenas por falta de capacidade económica ou também não há nadadores salvadores suficientes para cobrir esse alargamento?

À Renascença, o presidente da FEPONS reconhece haver uma escassez de nadadores salvadores sazonais, mas garante que se o trabalho fosse 12 meses por ano, seriam muitos mais os jovens disponíveis para o trabalho.

O responsável pela Federação de Nadadores Salvadores diz ser previsível um agravamento deste quadro no futuro, perante a falta de condições e de incentivos à profissão - uma vez que a maioria são estudantes.

A inexistência de vigilância todo o ano não afastará as pessoas das praias?

Os nadadores salvadores dizem que sim. Alexandre Tadeia diz não ter dúvidas de que o turismo sai claramente a perder.

Esta será uma situação mais grave, até perante as mortes registadas no último fim de semana...

Só no fim de semana da Páscoa, morreram três pessoas nas praias. Um número que pode aumentar, uma vez que continua desaparecido um norte-americano na praia de Vila do Bispo.

Já a Autoridade Marítima Nacional (AMN) resgatou 33 pessoas em apuros no mar. Num balanço divulgado esta terça-feira, as autoridades admitem ter registado, nestes últimos dias, uma grande afluência às praias. Deixa, ainda, recomendações aos banhistas, como as de vigiar permanentemente crianças, evitar comportamentos de risco, ou não virar as costas ao mar.

Recomendações importantes quando nos encaminhamos, novamente, para um fim de semana de calor...

Essa é, pelo menos, a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). No próximo fim de semana, os termómetros poderão chegar aos 30ºC no interior da região sul e no Vale do Tejo. Apesar das ondas de calor num mês conhecido pelas chuvas - "Abril, águas mil" desta vez não se aplica -, esta não será uma situação fora do normal. O que é pouco comum é durarem tanto tempo.

Abril está a ser um mês quente e seco, numa altura em que a situação de seca meteorológica está a aumentar, sendo pior na região sul, onde os distritos de Setúbal e Beja e alguns locais do sotavento algarvio se encontram em situação de seca severa.

Um quadro que leva o climatologista Carlos da Câmara a avisar, em declarações à Renascença, que tudo aponta para um agravamento das condições de seca em muitas partes do território. Apela, por isso, a uma atitude preventiva e a um olhar atento à evolução da meteorologia.

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