Covid-19. Jovens de 16 e 17 anos veem na vacina um passaporte para a liberdade
14-08-2021 - 17:46
 • Lusa

Mais de 160 mil jovens de 16 e 17 anos inscreveram-se para serem vacinados este fim de semana.

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Bianca, Pedro e Filipe vacinaram-se neste sábado contra a Covid-19 em Loures, fazendo parte das estatísticas dos mais de 160 mil jovens de 16 e 17 anos que se inscreveram para serem vacinados neste fim de semana.

Bianca chegou ao Centro de Vacinação de Loures acompanhada pela irmã, enquanto Pedro veio com os pais e Filipe esteve sempre sozinho. Os três revelaram à Lusa que esperam que a vacina seja o passaporte para o regresso a uma vida mais tranquila, com menos medo de apanhar a doença e de transmitir o vírus.

Filipe Cavaca esteve 15 dias fechado no seu quarto em isolamento profilático e hoje recorda que, na altura, teve "um pouco de receio" de estar infetado com Covid-19. Depois de duas semanas em 'suspense', o jovem de 17 anos soube que não estava infetado, mas a experiência ficou-lhe na memória.


Quando soube que os jovens de 16 e 17 anos também se podiam inscrever para serem vacinados, Filipe não hesitou. Tratou de tudo sozinho: inscreveu-se na plataforma e neste sábado de manhã chegou ao centro de vacinação munido com o seu cartão de cidadão e telemóvel, onde tinha guardada a hora da vacina.

"Quando fiz o autoagendamento fiquei um pouco ansioso", admitiu em declarações à Lusa, acrescentando que, apesar disso, nunca teve dúvidas sobre as vantagens da opção que tomou em família.

A maior parte dos seus amigos também vão ser vacinados durante este fim de semana, mas, tal como Filipe, "alguns estão ansiosos".

A ansiedade dos jovens é confirmada à Lusa por António Alexandre, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde de Loures e Odivelas, que recorda que o centro de vacinação de Loures está a funcionar desde janeiro e agora foi a vez de abrir as portas aos mais novos, um grupo "que precisa de outro tipo de atenção".

"Os jovens vêm mais ansiosos e depois da vacinação é mais frequente terem algum tipo de reações, tais como baixas de tensão", explicou.

Para António Alexandre, os jovens estão a viver "um misto de ansiedade": por um lado, "é uma ansiedade boa, porque veem uma luz ao fundo do túnel, porque veem que podem recuperar alguma da sua liberdade, mas muitos têm medo de agulhas e, por isso, temos de ter algum cuidado, mas está a correr tudo bem".

Inês Silva, de 16 anos, confirma essa "ansiedade boa" referida por António Alexandre.

"É bom sermos vacinadas porque assim podemos conviver mais, estar mais uns com os outros, sem medo de apanhar o vírus", disse à Lusa Inês, acompanhada pela irmã Bianca, a responsável por estarem as duas, neste sábado, no centro de vacinação de Loures.

Bianca Silva, de 17 anos, tomou a iniciativa de fazer o autoagendamento para o pavilhão desportivo de Loures, que prevê receber este fim de semana cerca de 3.500 jovens que se inscreveram, além de todos aqueles que optem por tirar uma senha digital para serem vacinados na modalidade "Casa Aberta".

Segundo António Alexandre, quase 80% dos jovens do município de Loures fizeram o autoagendamento para os centros de vacinação de Loures e Odivelas que neste fim de semana dão prioridade aos jovens de 16 e 17 anos.

Os mais velhos terão de vir mais tarde, como aconteceu com os filhos da família Teodoro. Pedro, de 17 anos, chegou ao centro de vacinação acompanhado pelos pais e em casa ficou o irmão mais velho que será vacinado na segunda-feira.

À Lusa, o pai Rui Teodoro explicou que decidiram acompanhar o filho por "uma questão de solidariedade familiar". "Falta o irmão mais velho, mas segunda-feira vimos com ele também", contou.


Rui Teodoro é um defensor da vacina, que espera que possa "contribuir para um regresso à normalidade" e, por isso, em família decidiram que todos seriam vacinados. "As vantagens são óbvias, a evidência científica dá-nos essa garantia", refere.

Também Armanda Fernandes esteve no centro de vacinação a acompanhar o filho mais novo, Duarte Pedroso, de 16 anos, e para a semana regressa com o mais velho, de 18 anos, que hoje também ficou em casa.

"Já vim com a minha mãe e pude sempre acompanhá-la. Isto também é novo para eles. Estão nervosos e ansiosos. Mas vai tudo correr bem", contou à Lusa a mãe, que aguardou pelo filho nas bancadas do pavilhão, de onde se conseguia ter uma panorâmica de todo o percurso de vacinação, desde a entrega dos documentos, passando pela vacinação e recobro.

O centro de vacinação de Loures contou, neste sábado, também com a visita do vice-almirante Gouveia e Melo, que disse estar "confiante" e saudou a participação dos jovens no processo de vacinação e mostrou-se satisfeito com a taxa de autoagendamento: inscreveram-se cerca de 160 mil jovens de um universo de quase 200 mil.

"Tenho uma elevada expectativa de adesão a este processo", disse o vice-almirante, contando que nos quatro centros de vacinação que visitou de manhã encontrou "muita gente alegre por poder finalmente ser vacinada".

Durante a visita ao centro, o coordenador nacional da "task -force" para Plano de Vacinação contra a Covid-19 distribuiu por alguns jovens um crachá igual ao que traz na manga da farda, com o desenho de uma hidra com três cabeças a comer um vírus. As três cabeças, explicou, representam a Marinha, o Exército e Força Aérea, ou seja, as "4.700 pessoas que todos os dias estão a combater o vírus".

"Quando estes jovens vêm de forma voluntária ao processo de vacinação, eles merecem isto. Estão a fazer parte desta grande 'task-force' que está a tentar encurralar o vírus num sítio em que ele desapareça da comunidade", explicou.