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Coimbra. Obras em zona histórica geram protestos e petição

02 jun, 2021 - 08:55 • Vítor Mesquita , Sofia Freitas Moreira

A tradicional escadaria em calcário está a ser substituída por granito, numa decisão que muitos consideram descaracterizar a matriz original. As obras no Largo da Sé Velha também preocupam.

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Escadas do Quebra Costas. Foto: Câmara Municipal de Coimbra
Escadas do Quebra Costas. Foto: Câmara Municipal de Coimbra
Escadas do Quebra Costas. Foto: Câmara Municipal de Coimbra
Escadas do Quebra Costas. Foto: Câmara Municipal de Coimbra

A substituição do pavimento histórico em Coimbra, numa zona que é património da humanidade, está a provocar indignação na cidade.

Em causa as obras no Largo da Sé Velha e também na escadaria do Quebra Costas, que faz a ligação entre a baixa da cidade e a zona alta, onde se situa a catedral e a Universidade. A principal crítica tem a ver com os materiais usados na requalificação.

Uma das vozes mais ativas na contestação é a de Pedro Proença Cunha, professor da Universidade de Coimbra. Este especialista em Geologia diz-se chocado com a intervenção, onde o granito surge no lugar do tradicional calcário.

“Foi chocante ver que, de repente, estão a retirar todos os degraus da escada do Quebra Costas e substituí-los por esses degraus de granito”, começou por descrever o professor à Renascença.

Segundo Pedro Proença Cunha, “os degraus do Quebra Costas eram em calcário, a superfície deles estava picada, portanto, havia um martelo com um bico que fazia picos e servia para dar atrito ao sapato de quem desce. E tinham também patamares em calçada portuguesa.”

Outro aspeto muito contestado é o levantamento da calçada histórica do Largo da Sé Velha, com origem medieval.

O professor universitário gostava que todo o processo fosse, pelo menos, suspenso, para uma melhor avaliação. Se assim não for, alerta que pode estar em causa a classificação como património mundial.

Perante estas queixas, o presidente da Câmara de Coimbra garante que as obras tiveram parecer positivo das autoridades competentes e que estão a ser tomados todos os cuidados na preservação do património. Quanto ao recurso ao granito, é justificado com motivos de segurança.

Em declarações à Renascença, Manuel Machado explica que houve várias intervenções nas chamadas escadas do Quebra Costas. “Há degraus em granito, degraus em calcário. O que ocorre é que os degraus em calcário são, frequentemente, sítio de acidentes. Em razão disso foi homogeneizado um material, que é um granito adequado para aquele espaço, de modo a substituir as peças em calcário que são recentes.”

Sobre o Largo da Sé Velha, a autarquia explica que pretende dotar a zona de infraestruturas no subsolo e recolocar os seixos de quartzito da calçada. Serão depois aplicadas faixas de granito, como já acontece noutras ruas da Alta da Coimbra.

Manuel Machado acrescenta não recear qualquer reparo da UNESCO. Diz mesmo que a requalificação e a melhoria dos acessos às zonas classificadas era um compromisso assumido com as entidades promotoras da própria candidatura.

Apesar destas garantias da autarquia, a contestação continua, estando prevista para esta quarta-feira a realização do que é designado por serenata fúnebre e uma vigília pela preservação do Património Mundial de Coimbra. Em curso está também uma petição contra estas polémicas obras em Coimbra.

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