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“Ciência 2019”

Investigadores precários protestam pela "dignificação das carreiras científicas"

09 jul, 2019 - 08:20 • Beatriz Lopes, com Redação

Depois de protesto com balões cor-de-rosa, investigadores precários prosseguem com manifestações sob o lema "Pelo fim da precariedade e pela dignificação das carreiras científicas".

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"Pelo fim da precariedade e pela dignificação das carreiras científicas" é o lema que vai levar investigadores e professores universitários a manifestarem-se esta terça-feira, frente ao Centro de Congressos, em Lisboa, onde decorre o encontro “Ciência 2019”.

Na passada segunda-feira, durante a cerimónia de abertura do encontro, vários investigadores precários protestaram com balões cor-de-rosa, durante o discurso do primeiro-ministro, António Costa.

Ana Ricardo, uma das porta-vozes da iniciativa, relembra que há investigadores que esperam há mais 20 anos pela regularização da sua situação laboral.

“A esmagadora maioria dos contratos de trabalho é a prazo, muitas vezes são contratos de bolsa de investigação, que não são um verdadeiro contrato de trabalho, que não incluem de forma adequada as mais básicas formas de proteção social”, explica Ana Ricardo.

“Tenho conhecimento de investigadores no Instituto Superior Técnico (IST), que sabemos que já estão há mais de 20 anos com sucessões de bolsas e contratos a prazo”, lamenta a investigadora do IST.

Dois anos depois de o Governo ter avançado com o Programa de Regularização dos Trabalhadores Precários na Função Pública (PREVPAP), os números continuam longe do objetivo.

No universo dos investigadores, dos quase 1700 processos submetidos, apenas 10% recebeu luz verde. No que diz respeito aos professores, dos mais de 1500 processos foram aprovados apenas 8,6%.

A investigadora lamenta que tenha sido aberto apenas um concurso para investigadores e 49 para contratação de docentes. Os investigadores com vínculos a instituições privadas sem fins lucrativos foram afastados do programa.

“Consideramos que esta tendência tem de ser invertida, caso contrário não podemos atingir a tal sociedade baseada num conhecimento que o atual primeiro-ministro tem vindo a defender”, diz Ana Ricardo.

Para além do protesto nacional dos Trabalhadores Científicos do Ensino Superior e Ciência, esta terça-feira, em frente ao Centro de Congressos, o grupo de investigadores precários vai estar, na quarta-feira, nas galerias do Parlamento a assistir ao debate do Estado da Nação.

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