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Novo escândalo no Brasil pode ser fatal para Bolsonaro? É cedo, diz especialista

01 jul, 2021 - 20:24 • Pedro Mesquita , Filipe d'Avillez

Um elemento do Ministério da Saúde terá tentado pedir um suborno de 400 milhões de dólares para a compra de vacinas contra a Covid. Resta saber se foi verdade e se Bolsonaro sabia.

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O representante de uma empresa de fornecimento de medicamentos, Luís Paulo Dominguetti, disse esta quinta-feira, no Senado brasileiro, que o diretor de Logística do Ministério da Saúde lhe propôs a cobrança de um dólar a mais, em cada dose da Astrazeneca, para fechar o acordo de compra de 400 milhões de doses.

O episodio terá ocorrido em janeiro, à mesa de um restaurante em Brasília, sendo que Luis Paulo Dominguetti garante ter recusado a proposta do representante do Ministério.

Perante mais este escândalo no Brasil, volta-se a falar, com renovado entusiasmo, na possibilidade de abrir um processo de destituição do Presidente Bolsonaro.

Para isso, contudo, é necessário que os factos agora denunciados sejam comprovados e, ainda, que se confirme uma ligação direta do Presidente ao caso. Sem isso não irá passar de uma situação desconfortável para Jair Bolsonaro, na leitura de Lucas de Aragão, mestre em Ciência Política.

“Caso se prove que é verdade é uma situação muito desconfortável para o Presidente Bolsonaro. Agora, a ética na política é diferente da ética na vida real, infelizmente, então tem de se analisar esta situação de diversos ângulos”, diz.

“Acho que as pessoas às vezes fazem uma análise muito rápida da política, dizendo que isto pode levar a uma destituição, ou uma denúncia que chegue ao Congresso através da Procuradoria-Geral da República, mas ainda é prematuro falar disso.”

“Primeiro porque o assunto tem de ser provado e, além de ser provado, tem de se mostrar uma ligação direta do Presidente Bolsonaro ao assunto. Se olharmos para o passado recente, outros governos no Brasil sobreviveram a escândalos políticos dentro do Governo, mas que não chegaram necessariamente ao Presidente. Um caso emblemático é o escândalo do Mensalão, que aconteceu em 2005 no Brasil e que gerou inúmeras prisões de empresários e membros do Partido dos Trabalhadores, e um ano depois o Presidente Lula foi reeleito”, recorda.

“Os escândalos dentro do Governo não significam necessariamente uma situação fatal para o Presidente”, conclui o cientista político.

Bolsonaro perdeu muita da sua popularidade no último ano, mas na leitura de Lucas de Aragão, é ainda muito cedo para perceber que impacto poderá ter este novo abalo.

“É difícil dizer se este caso específico vai ter impacto. É muito recente, a popularidade do Presidente sofreu muitos abalos neste ano, principalmente por causa da pandemia, da economia, do desemprego, aumento da inflação. Ele perdeu muito apoio em grupos de voto em que estava muito bem.”

“Hoje a situação do Presidente Bolsonaro é de um país muito polarizado, porque ele mantém um apoio muito leal de aproximadamente 25% da população. Aqui no Brasil fazemos as sondagens com três respostas diferentes: se a pessoa está a ter um bom Governo, um Governo regular ou um péssimo. Historicamente temos um número de eleitores que consideram o Governo regular que é muito alto. O Presidente Bolsonaro tem muito pouco disso, apenas 14%, então ele tem 25% de bom, cerca de 15% de regular e pouco mais de 50% de péssimo, o que mostra a polarização no Brasil”, afirma Lucas de Aragão.

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