23 abr, 2021 - 07:31 • Sofia Freitas Moreira
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A estirpe da Covid-19 identificada na Índia foi detetada, pela primeira vez, na Bélgica, entre estudantes indianos que viajaram para o país.
A variante do coronavírus B.1.617, que está a degradar rapidamente a situação sanitária na Índia, está a provocar preocupação em vários outros países, que temem que possa ser mais contagiosa e resistente às vacinas.
De acordo com as autoridades belgas os casos foram identificados entre um grupo de estudantes indianos que viajaram para a Bélgica este mês.
Os 20 estudantes de enfermagem fizeram escala em França, no aeroporto Charles de Gaulle, e foram colocados em quarentena nas cidades flamengas de Aalst e Lovaine.
"Estes estudantes estão num isolamento restrito desde que chegaram. 20 dos 43 estudantes estão infetados, à data, pela variante indiana", escreveu no Twitter o microbiologista Emmanuel André, da Universidade Católica de Lovaine.
Na quinta-feira, o Reino Unido identificou mais 55 casos da nova variante do coronavírus. No total, o país regista agora um total de 132 casos prováveis e confirmados da variante.
O ministro da Saúde, Matt Hancock, anunciou na segunda-feira que a Índia seria adicionada à lista vermelha, o que significa que as chegadas terão que ser colocadas em quarentena nos hotéis.
Índia vai entrar para a "lista vermelha" de países(...)
A Índia está a lutar contra um aumento recorde das infeções por Covid-19 que tem sobrecarregado os hospitais e levado a graves carências de camas e oxigénio.
Uma questão-chave é se a nova variante com mutações potencialmente preocupantes - B.1.617 - está por trás do que é atualmente o surto de crescimento mais rápido do mundo, que contou mais de 330 mil novas infeções, esta sexta-feira.
É o segundo dia seguido que a Índia regista o número mais alto de novos casos diários, a nível mundial, desde o início da pandemia.
Em 24 horas registou 2.263 mortos e 332.730 infeta(...)
Os vírus estão sempre em mutação, produzindo diferentes versões ou variantes de si mesmos.
A maioria destas mutações são insignificantes - e algumas podem até tornar o vírus menos perigoso - mas outras podem torná-lo mais contagioso e mais difícil de vacinar contra ele.
Esta variante - oficialmente conhecida como B1617 - foi detetada pela primeira vez na Índia, em outubro de 2020, explica a BBC.
Os testes de amostras não estão suficientemente difundidos em toda a Índia para determinar até que ponto ou quão rapidamente a variante se está a espalhar.
Foi detetada em 220 das 361 amostras de Covid-19 recolhidas entre janeiro e março, no estado indiano ocidental de Maharashtra.
Entretanto, foi detetada em pelo menos 21 países, de acordo com a base de dados global da GISAID. As viagens internacionais parecem ter trazido a variante para o Reino Unido.
A Saúde Pública Inglaterra listou a variante da Índia como uma das várias "variantes sob investigação", mas não a considera até agora suficientemente séria para ser classificada como uma "variante de preocupação".
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Os cientistas ainda não sabem se esta variante é mais infeciosa ou resistente às vacinas.
Jeremy Kamil, virologista da Universidade Estatal da Louisiana, diz que uma das suas mutações é semelhante às observadas nas variantes identificadas na África do Sul e no Brasil.
Esta mutação pode ajudar o vírus a escapar aos anticorpos do sistema imunitário que podem combater o coronavírus com base na experiência de uma infeção anterior ou de uma vacina, mas o que parece ser mais preocupante neste momento é a variante identificada no Reino Unido, que se propagou a mais de 50 países.
"Duvido que a variante indiana seja mais contagiosa do que a variante britânica - e não devemos entrar em pânico", diz Kamil.
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A Índia tem relatado cerca de 200 mil casos diariamente desde 15 de abril - muito além do seu pico de 93 mil casos por dia no ano passado. As mortes também têm vindo a aumentar.
"A elevada população e densidade da Índia é uma incubadora perfeita para este vírus experimentar mutações", diz Ravi Gupta, professor de microbiologia clínica da Universidade de Cambridge.
Contudo, a onda de casos na Índia pode ter sido causada por grandes concentrações, e pela falta de medidas preventivas, tais como o uso de máscaras ou distanciamento social.
Também é possível que haja uma relação de causa e efeito com a nova variante, mas ainda há falta de provas.