Tempo
|

35,46%
47 Deputados
25,31%
29 Deputados
9,02%
7 Deputados
6,35%
3 Deputados
3,99%
1 Deputados
3,09%
1 Deputados
1,38%
0 Deputados
1,25%
0 Deputados
1,11%
0 Deputados
5,15%
5 Deputados
  • Freguesias apuradas: 2507 de 3092
  • Abstenção: 45,04%
  • Votos Nulos: 5,43%
  • Votos em Branco: 2,47%

Total esquerda: 57Mandatos
Pan: 1Mandatos
Total direita: 35Mandatos
A+ / A-

Presidenciais na Bielorrússia. UE denuncia "violência estatal desproporcional e inaceitável"

10 ago, 2020 - 16:24 • Joana Azevedo Viana com Reuters

Resultados oficiais dão 80% dos votos ao Presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994. Oposição denuncia "fraude eleitoral em massa". Após pelo menos 3 mil detenções no domingo, população organiza-se para voltar às ruas esta segunda-feira.

A+ / A-

A União Europeia criticou a atuação do Governo da Bielorrússia no contexto das eleições presidenciais no país, cuja primeira volta foi disputada no domingo num contexto de "violência estatal desproporcional e inaceitável contra manifestantes pacíficos".

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a alta representante diplomática da UE, bem como o vice-presidente da Comissão Europeia e o comissário europeu para o Alargamento, "condenam a violência e pedem a libertação imediata de todos os que foram detidos na noite passada", durante protestos que terão culminado em pelo menos um morto e 3 mil detidos.

"As autoridades bielorrussas devem garantir o respeito pelo direito fundamental dos cidadãos a manifestarem-se pacificamente", reforçam os responsáveis europeus. "Após esta mobilização sem precedentes por eleições livres e democráticas, o povo bielorrusso espera agora que os seus votos sejam cuidadosamente contabilizados. É essencial que a Comissão Central Eleitoral publique os resultados, refletindo a escolha do povo bielorrusso."

Esta segunda-feira, no rescaldo das eleições presidenciais, a oposição acusou o Presidente, Alexander Lukashenko, de fraude eleitoral, após ter sido anunciada a sua vitória com uma margem esmagadora de votos, o que levou milhares de pessoas às ruas e conduziu a sangrentos confrontos entre os manifestantes e a polícia.

De acordo com os resultados oficiais divulgados esta madrugada, Lukashenko, que está no poder na Bielorrússia há mais de 25 anos, conquistou 80% dos votos, contra apenas 9,9% para a sua principal rival nas urnas, Svetlana Tikhanouskay.

"As autoridades não nos estão a ouvir", acusa Tikhanouskay, uma ex-professora de inglês que decidiu candidatar-se à presidência após o seu marido, blogger crítico do atual Governo, ter sido detido. "As autoridades têm de encontrar formas pacíficas de transferir o poder. Claro que não vamos reconhecer estes resultados."

Desde 1995, todas as missões de observadores eleitorais independentes encontraram situações problemáticas em sufrágios no país. Desta vez, e nas semanas que precederam a ida às urnas, vários críticos de Lukashenko foram detidos, com outros opositores a serem alvos de investigações criminais.

Críticas e pressão

Os recentes acontecimentos na Bielorrússia estão a ser acompanhados de perto pela Rússia, cujas exportações de petróleo atravessam o território bielorrusso até ao Ocidente.

Moscovo vê na Bielorrússia uma "zona tampão" contra a interferência da NATO na região, tentando manter o país na sua órbita. Contudo, indica a Reuters, Lukashenko tem rejeitado tentativas recentes do Presidente russo, Vladimir Putin, em aprofundar as relações entre os dois países, denunciando-as como um ataque à independência da Bielorrússia.

Recentemente, Lukashenko disse mesmo que as manifestações e críticas ao seu Governo são parte de uma "guerra híbrida" orquestrada pelos seus inimigos, incluindo nessa classificação o Ocidente, a Ucrânia e a Rússia.

Face aos resultados das presidenciais, a Alemanha já pediu à UE que discuta a possiblidade de voltar a aplicar sanções ao país. A última ronda de sanções foi suspensa por Bruxelas em 2016, para fomentar uma relação mais próxima com a ex-nação soviética.

Apesar de a calma ter voltado às ruas da capital, Minsk, esta segunda-feira, há já várias convocatórias nas redes sociais para renovados protestos contra Lukashenko, marcados para esta noite, contra o que a população diz ser uma "farsa eleitoral".

Aos jornalistas, Tikhanouskaya, cujos comícios de campanha atraíram algumas das maiores multidões de que há memória desde a queda da União Soviética em 1991, declarou vitória nas eleições e denunciou uma "fraude em massa" por parte do Governo.

A oposição, que diz estar disposta a reunir-se com as autoridades, exige uma recontagem dos votos em todas as estações onde foram denunciados problemas, adiantaram os seus assessores, prometendo que os protestos vão continuar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+