Greves
João Duque. Administração Pública tem "alguma razão" em manter a contestação
06 dez, 2024 - 09:04 • André Rodrigues
Economista admite que, com a inflação prevista para 2025, o aumento antecipado para a Função Pública "não repõe poder de compra, quer passado, quer futuro".
Os sindicatos da Administração Pública têm “alguma razão” em manter a contestação e as greves, admite na Renascença o economista João Duque.
Apesar do Governo ter concluído negociações de aumentos salariais com mais de 40% dos trabalhadores da Administração Central do Estado, João Duque lembra que a proposta de aumento inscrita no Orçamento do Estado para 2025 não recupera o poder de compra, “quer passado, quer futuro”.
Este economista esclarece que, “tendo em conta que a inflação passada anda nos 2,3%, se for o índice de preços no consumidor; 2,6% no índice harmonizado de preços no consumidor; ou 2,5% no índice de preços do consumidor - excluindo a habitação -, chegamos à conclusão de que a proposta de aumentos salariais na função pública de 2,15% fica aquém da inflação passada”.
E olhando para a frente, “a expetativa de aumento de preços anda na casa dos 2,3% e, portanto, parece haver alguma razão por parte dos sindicatos da Administração Pública”.
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"Cada 0,1% de aumento são mais 280 milhões"
Mas, afinal, quanto custam ao Estado os aumentos salariais reclamados pelos sindicatos? “Esse é outro problema: a base sobre a qual se aplicam esses aumentos já é muito elevada”, responde João Duque.
Para que se tenha uma noção, a massa salarial dos funcionários públicos situa-se “entre os 29 mil milhões e os 30 mil milhões de euros - consoante se trate da contabilidade pública ou contabilidade nacional”.
Logo, “por cada 0,1% de aumento que um sindicato pede, são mais 280 milhões de aumento de despesa pública. Quando o Governo acedeu a aumentar 0,05%, isto significa logo 140 mil milhões”.
Daí que, no entendimento deste economista, o Governo prefira valorizar os funcionários públicos, “não com atualizações generalizadas de salários, mas com progressões nas carreiras ou prémios de risco. Ou seja, olhando para coisas mais específicas e menos para subidas que abranjam todos que, desejavelmente, deveriam acompanhar a inflação”.
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