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Incêndio

Moradores de Castro Marim queixam-se de falta de apoio, mas reconhecem que se evitou tragédia. “Aprendemos com os erros”

17 ago, 2021 - 23:00 • Joana Gonçalves

Em menos de dois dias, o fogo que teve início em Castro Marim resultou em mais de 9.000 hectares de área ardida e chegou às portas de Tavira e Vila Real de Santo António. Residentes da aldeia da Cortelha, um dos locais mais afetados pelo incêndio, lamentam falhas no combate às chamas e recordam o fogo de 2004.

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A aldeia da Cortelha foi uma das mais afetadas pelo incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A aldeia da Cortelha foi uma das mais afetadas pelo incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Já depois de dado como dominado, mais de 600 operacionais permaneceram no terreno para combater as chamas. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Já depois de dado como dominado, mais de 600 operacionais permaneceram no terreno para combater as chamas. Foto: Joana Gonçalves/ RR

“Não quero dizer que os bombeiros não foram lá, mas se os helicópteros se tivessem mantido por mais tempo, tinham visto o que se estava a passar. Se não fossem os populares tinha ardido tudo”. É desta forma que Laurentina, sentada junto à casa dos sogros na aldeia de Cortelha, resume o cenário que se viveu em Castro Marim nas últimas 48 horas.

Cá fora, Ana e Carla Sequeira acenam em concordância. “O monte ficou cercado por fogo e depois acabou a água e os próprios bombeiros não conseguiram sair”, conta a mais jovem. Mãe e filha partilham casa na mesma aldeia e, durante toda a madrugada de terça-feira, dividiram “turnos" para tentar salvar a habitação.

Carla Sequeira nasceu na aldeia da Cortelha, em Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Carla Sequeira nasceu na aldeia da Cortelha, em Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
 Laurentina, Ana e Carla recordavam as últimas horas de aflição antes do fogo ser totalmente extinto. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Laurentina, Ana e Carla recordavam as últimas horas de aflição antes do fogo ser totalmente extinto. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Ao fundo, a amarelo, vê-se a casa de Ana e Carla Sequeira, na Cortelha. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Ao fundo, a amarelo, vê-se a casa de Ana e Carla Sequeira, na Cortelha. Foto: Joana Gonçalves/ RR

Por toda a região se ouvem queixas semelhantes entre moradores: falta de apoio dos bombeiros e de água canalizada para combater as chamas. Em menos de dois dias, o fogo que teve início em Castro Marim, às 1h00 de segunda-feira, alastrou-se por Tavira e Vila Real de Santo António e consumiu mais de 9 mil hectares de terrenos florestais, agrícolas e mato.

Pelo menos um edifício ardeu e várias dezenas ficaram, temporariamente, sem electricidade, como confirmou à Renascença a Presidente da Câmara de Tavira. Junto a um armazém em ruínas, que outrora armazenara cereais, alfarrobas e outros produtos agrícolas, juntam-se quatro homens imóveis, com o olhar fixo no chão e que recusam recordar as últimas horas de aflição. “Lamento, mas não sou capaz de falar sobre isso", diz o mais velho, com lágrimas nos olhos.


O transtorno no rosto dos produtores que perderam meses de trabalho e investimento é notório e inegável é a tristeza dos vizinhos que desabafam nas ruas e tentam de alguma forma consolar quem mais perdas sofreu.

Mas apesar da revolta, Carla Sequeira recorda o incêndio que assolou o município em 2004 e garante que desta vez foi possível evitar uma tragédia. “Em 2004 foi mais rápido. Consumiu mais vegetação. Agora, vê-se terrenos mais lavrados, onde o fogo não pegou. Depois de termos vivido o incêndio de 2004, protegemo-nos melhor, prevenimos, atacamos melhor, preparamos as águas”, afirma.

“Vendo várias situações que se viveram no país, aprendemos com uns e outros e protegemo-nos melhor”, acrescenta a jovem moradora na aldeia da Cortelha. O incêndio que deflagrou em Castro Marim na madrugada de dia 16 de agosto foi dado como dominado às 16h00 desta terça-feira.

Presidente da Câmara de Tavira, Ana Paula Martins, na conferência de imprensa do rescaldo do incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Presidente da Câmara de Tavira, Ana Paula Martins, na conferência de imprensa do rescaldo do incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
81 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas, por precaução, na noite de 16 para 17 de agosto. Foto: Joana Gonçalves/ RR
81 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas, por precaução, na noite de 16 para 17 de agosto. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, qualificou como "bastante positivos" os resultados do combate ao incêndio. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, qualificou como "bastante positivos" os resultados do combate ao incêndio. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Operacionais dos bombeiros assistem à conferência de imprensa do rescaldo do incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Operacionais dos bombeiros assistem à conferência de imprensa do rescaldo do incêndio de Castro Marim. Foto: Joana Gonçalves/ RR

Em reação ao resultado do combate às chamas travado por mais de 600 operacionais no terreno, a secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, qualificou como "bastante positivo" o desfecho do incêndio que se iniciou em Castro Marim.

"Nós tínhamos aqui uma ocorrência com um potencial enorme de destruição, com uma área potencial que poderia ter alcançado os 20.000 hectares, e os números que hoje temos são bastante positivos e eles devem-se à eficácia e à operacionalidade de todos aqueles que combateram este incêndio, quer no terreno, quer nas salas de operações, quer no comando regional, mas também na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, onde toda esta operação foi acompanhada desde a primeira hora", afirmou a governante, na terça-feira.

Não há registo de vítimas mortais e os três bombeiros que sofreram ferimentos estão já a recuperar.

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