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Monjas de Belém há 20 anos em Portugal. “São um sino a tocar” na planície alentejana

13 ago, 2021 - 18:45 • Rosário Silva

“É um espaço aberto e está longe de ser um lugar soturno, macabro, medieval, retrógrado”, refere o cónego Mário Tavares de Oliveira, que acompanhou, desde o principio, a instalação das irmãs de clausura na arquidiocese de Évora, a oito quilómetros da vila comunista do Couço, palco de confrontações sociais e políticas durante os anos quentes da revolução.

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Do Couço - no concelho de Coruche, mas na arquidiocese de Évora - ao Mosteiro Nossa Senhora do Rosário, são cerca de oito quilómetros.

Quando as Monjas de Belém decidiram, em 2007, aceitar o terreno que lhes foi oferecido para construir o seu mosteiro, entre o Ribatejo e o Alentejo, estavam longe de saber que seriam vizinhas de uma pequena freguesia descristianizada e sob o domínio comunista, desde 1975.

“Sinais dos tempos”, é a leitura que faz o cónego Mário Tavares de Oliveira, em conversa com a Renascença, por ocasião da celebração dos 20 anos, assinalados este fim de semana, da chegada a Portugal, em 2001, da Família Monástica de Belém, da Assunção da Virgem e de São Bruno e da fundação do Mosteiro de Nossa Senhora Vestida do Sol, em Sesimbra, na diocese de Setúbal.

“Acho que é um sinal profético, mas também é uma denúncia aos nossos ritmos, às nossas agitações diárias que nos deixam, muitas vezes, um vazio, uma inquietação sobre o sentido da vida, pois andamos todos numa correria e é fundamental que alguém nos confronte com o sentido das coisas, da vida e nos aponte para o essencial”, refere o sacerdote.

Mário Tavares de Oliveira acompanhou, desde o início, o processo de instalação das monjas na diocese e recorda o diálogo que mantiveram quando chegaram ao terreno, no meio do nada.

“Eu perguntei: 'Irmã Silvina, mas aqui? Aqui não há nada e é difícil chegar'. Ela, com um olhar cristalino e voz angélica, mas preenchida, disse-me: 'padre Mário, é isso mesmo, aqui não há nada, só há Deus e é o que nós buscamos'. Olhe, eu remeti-me ao silêncio monástico”, diz-nos, a sorrir.

A partir daí, construíram-se uma pequena capela, meia dúzia de eremitérios, um refeitório e uma cozinha, procurando, numa fase posterior, proporcionar melhores condições para acolher quem chega, num projeto que vai continuar a crescer.

“É um espaço aberto, está longe de ser um lugar soturno, macabro, medieval, retrógrado. Não! Nada disso”, afirma, convicto. “É um lugar onde se respira beleza, jovialidade”, além de “estarmos perante uma expressão muito bela e autêntica daquilo que possam ser os valores de sempre do Evangelho, mas também com a luminosidade dos nossos tempos”, acrescenta o cónego.

O Mosteiro Nossa Senhora do Rosário dispõe, também, de um espaço de exposição e venda de produtos e objetos, deste e de outros mosteiros da Família Monástica, que revelam os aspetos da vida quotidiana das monjas, concretizados no trabalho e que refletem a sua vida de oração contemplativa e silêncio.

A solidariedade que se sobrepõe a ideologias

Precisamente, a oração e o silêncio fazem do mosteiro um “oásis” no meio da planície alentejana, num território palco de confrontações sociais e políticas. Uma vocação contemplativa, segundo a sabedoria de São Bruno, que não está ao alcance do entendimento de todos, mas isso não significa que não exista entreajuda e solidariedade. E, nisso, o exemplo da população do Couço é irrepreensível, desde a primeira hora.

“Há quem leve fruta ou outros bens alimentares, depende do que tem em abundância”, conta o padre Mário, afirmando que a população do Couço “tem muito orgulho no mosteiro”, mesmo que “a maioria não tenha sequer lá ido.”

O sacerdote chegou a sair do local, depois de celebrar a eucaristia, com o “carro cheio de coisas” que davam às monjas. “Padre”, diziam-me, “temos bens a mais, pode levar para os seus pobres?” E lá ia eu com o carro cheio de cabazes para levar às pessoas a quem distribuímos”, revela-nos.

“É uma gestão muito bonita e muito interessante”, considera este amigo da Família Monástica de Belém, “para quem se imagina, está no meio da planície, no meio do montado, e que de repente faz nascer esta vitalidade inesperada, esta partilha de bens e de gestos”, no fundo, “uma expressão bonita da atualidade do Evangelho.”

20 anos em Portugal, 13 na arquidiocese de Évora

A Família Monástica de Belém, da Assunção da Virgem e de São Bruno, está em festa, pois celebra, a 15 de agosto, os 20 anos da Fundação do Mosteiro de Nossa Senhora Vestida do Sol, em Sesimbra, e da sua chegada a Portugal.

De forma modesta, para evocar a data, as Monjas de Belém organizam, este sábado, a partir das 20h00, a Vigília da Assunção e, no domingo, dia 15, a missa da Assunção, a partir das 10h00. As celebrações, ao ar livre, vão juntar alguns dos amigos da congregação, com todos os cuidados exigidos por causa da pandemia.

“Tudo isto é um sinal de esperança pois, muitas vezes, vivemos com a sensação que as coisas não têm conserto, que já não há remédio, e estes sinais fazem-nos perceber que Deus não desiste de nós e continua a mostrar-nos caminhos”, acentua, Mário Tavares de Oliveira.

Para o sacerdote, as Monjas de Belém “são um sino a tocar, que se ouve bem longe” e que faz “felizes, todos os que param um pouco ouvir as melodias destes sinos.” Sinais “que nos agitam, nos provocam e nos anunciam coisas grandes”, conclui.

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