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Euro 2020. Federação e Boris Johnson condenam insultos racistas a jogadores

12 jul, 2021 - 09:20 • Redação com Lusa

Marcus Rashford, Jadon Sancho e Bukayo Saka, os três jogadores ingleses que falharam penáltis na derrota com a Itália na final, têm sido vítimas de "bullying" online.

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A Associação Inglesa de Futebol mostrou-se "chocada" e "enojada" pelos comentários racistas nas redes sociais que visaram três jogadores da seleção após a final do Euro 2020, uma condenação secundada já esta segunda-feira pelo primeiro-ministro britânico.

"Os jogadores da equipa inglesa merecem serem tratados como heróis, não [vítimas de] insultos racistas nas redes sociais", escreveu Boris Johnson no Twitter.

Em causa estão comentários racistas dirigidos a Marcus Rashford, Jadon Sancho e Bukayo Saka, os três jogadores que falharam grandes penalidades na derrota de domingo com a Itália na final do Euro 2020, em Wembley.

"Os responsáveis por este terrível abuso deveriam envergonhar-se", acrescentou o primeiro-ministro britânico.

A Federação Inglesa de Futebol já afirmara estar "chocada" e "repugnada" pelos comentários racistas.

"Estamos enojados pelo facto de membros da nossa equipa, que deram tudo de si este verão, terem sido sujeitos a ataques discriminatórios online depois do jogo desta noite", publicou a Federação, também no Twitter, insistindo: "Nós apoiamos os nossos jogadores."

Rashford, de 23 anos, Sancho, de 21, e Saka, de 19, por esta ordem falharam a cobrança das três últimas grandes penalidades, selando a derrota da Inglaterra com a Itália e acabando com o sonho de um país que esperava ganhar um segundo grande título, 55 anos após a vitória em casa no Mundial 1966.

A Federação afirmou ainda que "condena todas as formas de discriminação e está chocada com a propagação do racismo nas redes sociais contra alguns jogadores de Inglaterra".

"Dizemos, nos termos mais claros possíveis, que qualquer pessoa por detrás de um comportamento tão repugnante não é bem-vinda entre os apoiantes desta equipa", concluiu.

A polícia de Londres disse estar "a investigar" as publicações "insultuosas e racistas".

Um problema que vem de trás


O futebol inglês tem sido flagelado há vários meses pelo racismo online que visa os jogadores e jogadoras após derrotas ou desempenhos dececionantes nos respetivos clubes.

Em maio, a federação apelou ao Governo britânico para que legislasse imediatamente para forçar as redes sociais a tomar medidas contra insultos online, que no passado visaram Marcus Rashford e não só.

Para chamar a atenção para este racismo online, a federação, os clubes da Premier League, do Championship e da Superliga Feminina, bem como as organizações representativas de jogadores, árbitros e treinadores, a que mais tarde se juntaram outros desportos como o râguebi e o críquete, tinham decidido não alimentar as suas contas nas redes sociais de 30 de abril até 3 de maio.

A final da Euro também foi marcada por incidentes com adeptos sem bilhetes que conseguiram entrar no estádio, quebrando barreiras de segurança e sobrecarregando o pessoal do estádio.

Uma cena de violência com adeptos a desferir murros e pontapés a um homem asiático nos corredores do estádio foi filmada e afixada nas redes sociais.

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